Arquivo da categoria: Volume 8, número 1 (2016)

JOGOS COOPERATIVOS NA EDUCAÇÃO FISÍCA ESCOLAR: COMPONENTES ESSÊNCIAS PARA UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA.


JOGOS COOPERATIVOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: COMPONENTES ESSENCIAIS PARA UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA.

COOPERATIVE GAMES IN PHYSICAL EDUCATION SCHOOL: KEY COMPONENTS FOR SIGNIFICANT LEARNING.

 

JEFFERSON CAMPOS LOPES

Doutorando em Ciências do Desporto – UTAD

Me. em Educação – Unimonte

Professor- UNIBR – São Vicente

 jeffted@uol.com.br

RESUMO

Atualmente, um dos objetivos da Educação Física escolar é aproximar o indivíduo de seu contexto cultural, social e pessoal. Para isso, dentre as diversas metodologias existentes para o ensino do movimento, encontram-se os Jogos Cooperativos. Assim sendo, este artigo apresenta uma revisão bibliográfica dos teóricos (Pcn’s,1998; Salermo,2004; Huizinga,2007; Oliver,2000; La Talle,2003; Freire, 2005; Orlick,2006; Brotto,1999; Lopes, 2002; Scalon,2004; Santos,2008 e Delors,1998), cujos fundamentos contribuem para o processo ensino-aprendizagem na formação integral do ser humano.

 

PALAVRAS-CHAVE: Jogos Cooperativos. Educação Física. Aprendizagem.

 

ABSTRACT

Currently, one of the scholar Physical Education goals is to approach the subject of their cultural, social and personal contexts. For this, among the various existing methods for teaching movement, are the Cooperative Games. Therefore, this article presents a literature review on the theoretical authors Salerno (2004); Huizinga (2007); Oliver (2000); La Talle (2003); Freire (2005 b); Orlick (2006); Brotto (1999); Lopes (2002); Scalon (2004); Santos (2008) Delors (1998) and PCNs (1998), whose foundations contribute to the teaching-learning process in the thorough formation of the human being.

 

KEYWORDS: Cooperative Games. Physical Education. Learning.

 

 

INTRODUÇÃO

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) da Educação Física apresentam as diretrizes dos conteúdos curriculares em nível Nacional, tendo em vista orientar e garantir a coerência das políticas de melhoria de ensino, por meio de discussões, pesquisas e recomendações; além disso, auxilia a prática pedagógica dos docentes da área na construção de seu planejamento a fim de atender ao projeto político-pedagógico da escola de forma coesa e dinâmica.

 

Neste sentido, segundo os PCNs (BRASIL, 1998, p.28) “dentro desse universo de produções da cultura corporal de movimento, algumas foram incorporadas pela Educação Física como objetos de ação e reflexão”; assim sendo, os conteúdos são justamente as produções que compõem a proposta do documento, ou seja, os esportes, jogos, lutas, ginásticas, atividades rítmicas e expressivas e conhecimentos sobre o corpo.

 

De acordo com os estudos de Salerno (2004), a cultura corporal consiste em conteúdos, os quais permeiam as manifestações das danças, ginásticas, lutas, dos esportes e jogos para levar o discente a refletir, explorar, criar, recriar e entender o mundo, por meio da linguagem corporal.

Segundo Huizinga ( 2007),

 

Uma atividade livre, conscientemente tomada como ‘não séria’ e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total. É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com a qual não se pode obter qualquer lucro, praticada dentro de limites espaciais e temporais próprios, segundo certa ordem e certas regras (HUIZINGA, 2007, p. 16).

 

Oliver (2000) destaca a riqueza proporcionada pelos jogos de oposição e de cooperação, os quais possibilitam à criança confrontar-se com o outro e a resolver os problemas apresentados durante a atividade realizada.

 

Para La Taille (2003), pesquisador piagetiano, os jogos consistem em simples assimilação funcional, exercícios das ações individuais aprendidas, os quais geram ainda um sentimento de prazer pela ação lúdica em si e pelo domínio sobre as ações; portanto, os jogos têm dupla função: consolidar os esquemas já formados e dar prazer ou equilíbrio emocional à criança (LA TAILLE, 2003).

 

Por último, Freire (2005b) infere sobre o fenômeno jogo e sua complexidade, principalmente no que se referem às suas principais características, cujo simplismo de análise de alguns autores, os quais na tentativa de descrever o fenômeno jogo, tolhem a sua visão e partem do pressuposto positivista.

 

JOGOS COOPERATIVOS

Os jogos cooperativos foram criados e recriados com o intuito de serem desenvolvidos como uma alternativa em relação à competição. São jogos que despertam o processo de cooperação entre os participantes, a consciência de um estado ativo, pois todos são importantes, e as transições entre a vida pessoal e as atitudes na coletividade.

 

Os primeiros jogos cooperativos, segundo Orlick (2006), foram identificados em regiões remotas do ártico canadense, com os povos aborígenes e de Papua Nova Guiné. Essas experiências influenciaram na construção dos jogos cooperativos para uma nova jornada.

 

Brotto (1999) compreende que, pela variabilidade de situações e da população, tornou-se necessário categorizar os jogos cooperativos e suas diferentes formas de aplicação para integrar os jogos cooperativos em diferentes contextos, dentre eles, a educação física escolar, disciplina mantenedora de competições discentes constantes.

 

A partir do quadro abaixo de Lopes (2002), visualizam-se as principais características dos Jogos Competitivos e Jogos Cooperativos.tabelajogos

Fonte: BROTTO, 1999, p.75


 

 JOGOS COMPETITIVOS

De acordo com a tabela acima, a educação do movimento se instaura em valores, tanto nos jogos cooperativos como nos competitivos; entretanto, os cooperativos permitem a participação de todos; desenvolvem as competências e, além disso, não mantêm cobranças rotineiras, tampouco julgamentos, uma vez que ressaltam o trabalho do grupo. Como se viu, nos competitivos, existe a possibilidade de exclusão dos participantes, cujas habilidades para determinada atividade não sejam desenvolvidas. Assim sendo, é relevante o conhecimento de outras formas de jogos, os quais possam integrar a todos: ganhadores ou perdedores.

 

Nesse sentido, os Jogos cooperativos propõem novas formas de diminuir a agressividade dos indivíduos, resgatar atitudes de solidariedade, sensibilidade, cooperação, comunicação e alegria. Tais atributos agem diretamente no processo educativo, a fim de solucionar problemas de maneira pacífica e ética. Nesses jogos, todos participam com vistas à segurança do grupo, independente de suas habilidades ou capacidades (SCALON, 2004).

 

Segundo Brotto (2001), por meio desses jogos, é possível entender que não existem problemas negativos, objetivos impossíveis e conflitos evitáveis, pois ao se compartilhar o jogo da vida de maneira cooperativa, descobrem-se formas de autoconhecimento e de intervenção com o mundo.

 

DESENVOLVIMENTO

Como se disse, os jogos cooperativos buscam diminuir situações agressivas e promover a sensibilidade, cooperação, comunicação, alegria e solidariedade. Assim sendo, o processo traz uma aprendizagem significativa para o discente. Para Santos (2008, p. 33), “A aprendizagem somente ocorre se quatro condições básicas forem atendidas: a motivação, o interesse, a habilidade de compartilhar experiências e a habilidade de interagir com os diferentes contextos”.

 

Em vista disso, apresentam-se duas linhas, as quais promovem a aprendizagem significativa:

    1. A primeira respalda-se na Comissão Internacional da UNESCO, sobre Educação para o século XXI (DELORS, 1998) e baseia-se nos quatro pilares da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver junto. Nessa linha, conhecer é entender e conhecer o mundo, no qual o homem se insere. Fazer, por sua vez, é por em prática os conhecimentos e a aquisição de competências. Ser é um processo dialético, iniciado pelo conhecimento de si mesmo para abrir, em seguida, a relação com o outro. Viver junto é compreender e respeitar as diferenças existentes entre os indivíduos.

 

    1. A segunda é pedagógica e apoiada nos Eixos da pedagogia da cooperação. De acordo com Brotto (2001), são: a convivência, a consciência e a transcendência. A Convivência (vivência) é uma ação compartilhada como contexto principal para a aprendizagem, no processo de reconhecimento de si mesmo e dos outros; a Consciência (repensar) é a reflexão sobre a vivência e as possibilidades de modificar atitudes, a perspectiva de melhorar a participação, o prazer e a aprendizagem; a Transcendência (transformação) é a disposição para dialogar, decidir em consenso, experimentar as mudanças propostas e integrar no Jogo e na vida as transformações desejadas.

 

Para que haja um resultado significativo, é necessário lembrar sempre que a competição está enraizada, pelo ser humano, como uma forma natural e única de se conquistar algo, haja vista as competições pessoais, cotidianas e profissionais.

 

Os jogos cooperativos devem ser introduzidos em etapas, para que os alunos possam entendê-las e vivenciá-las. Segundo Brotto (2001), na Educação Física, essas etapas podem ser realizadas por meio das categorias:

    • Jogos Cooperativos sem perdedores – essas categorias se formam com uma única equipe, em que todos têm o único objetivo de enfrentar um desafio comum e ao final todos ganham.

 

    • Jogos de resultado coletivo – todos em um só grupo; caracterizam-se como ação coletiva em busca de resultado comum e não do confronto.

 

    • Jogos de Inversão – são formadas equipes diferentes e, em determinado ponto, há inversão de jogadores e placares; possibilitam a percepção de que todos fazem parte do mesmo time.

 

    • Jogos Semicooperativos – são atividades indicadas para grupos iniciantes em jogos cooperativos. O objetivo é fortalecer a cooperação entre os membros do mesmo time.

 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para a construção de atitudes cooperativas e de outros conteúdos da dimensão atitudinal, os quais fazem parte do ensino dos PCN´S na Educação Física é necessário que os jogos cooperativos deixem de ser somente uma alternativa casual no ensino.

 

Ao aplicar os jogos cooperativos, pode-se mostrar a importância da vitória coletiva sobre a individual; desenvolver a autonomia, as interrelações sociais, o físico e o intelecto.

 

Em uma sociedade que valoriza o “ter” em detrimento do “ser”, por meio dos jogos cooperativos é possível resgatar valores de respeito e igualdade universal.

 

A escola pode ser um espaço de propostas educativas para resolver conflitos e aprendizagens significativas. Acredita-se na importância dos jogos cooperativos como instrumentos mediadores para a formação moral, política, crítica e social de crianças e adolescentes. Assim sendo, espera-se que os discentes estejam preparados para novos desafios, superem dificuldades e sejam encorajados a aprendizagens inéditas, as quais lhes servirão de bases sólidas para o futuro, tanto na escola como na vida.

 

Segundo Correia (2007), a proposta dos Jogos Cooperativos, embora seja inovadora e adequada para minimizar as consequências negativas de uma Educação Física escolar extremamente competitiva, exige mais estudos para o aprofundamento dos seus aspectos filosóficos, sociológicos e pedagógicos.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: educação física. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Fundamental, 1998.

BROTTO, F. O. Jogos cooperativos: O jogo e o esporte como um exercício de convivência. Dissertação de Mestrado. Universidade estadual de campinas. São Paulo, 1999.

___________________ Jogos Cooperativos Criando Organizações onde todos podem VenSer Juntos!. Projeto Cooperação em parceria com o Sesc/SP. 2001.

CORREIA, M. M. Jogos Cooperativos e Educação Física Escolar: possibilidades e desafios. Digital, Buenos Aires, ano 12,n. 107, abril, 2007.

FREIRE, J. B.Jogo dentro e fora da escola (Orgs.). Campinas. Autores Associados, 2005.b

HUIZINGA, J. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5. Ed. São Paulo: Perspectiva, 2007.

LA TAILLE., Y. Prefácio. In, PIAGET, J. A construção do real na criança. 3.ed. São Paulo: Editora Ática, 2003.

LOPES, J.C. Educação para convivência: a contribuição dos jogos cooperativos na discussão dos pilares da educação. Dissertação de mestrado.  Unimonte/sp. 2002.

OLIVER, J. C. Das brigas aos jogos com regras: enfrentando a indisciplina na escola. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

ORLICK, T. Cooperative Games and sports, joyful activicties for everyone. United States. Human kinetics publishers, 2006.

SANTOS, J. C. F. dos. Aprendizagem Significativa: modalidades de aprendizagem e o papel do professor. Porto Alegre: Mediação, 2008.

SCALON, R. M. A psicologia do esporte a criança. Porto Alegre: Edipucrs,  2004.

SALERNO, M.B.; ARAÚJO, P. F. Educação física escolar como espaço inclusivo. In: Movimento e Percepção, v.4, no. 4/5, p.01 – 12, 2004.

EDUCAÇÃO INICIÁTICA OU ANDRAGÓGICA

EDUCAÇÃO INICIÁTICA OU ANDRAGÓGICA

EDUCATION INITIATION OR ANDRAGOGICAL

 

 

DALMO DUQUE DOS SANTOS
Me. em Comunicação e Cultura PUC-SP
UNIBR – Faculdade de São Vicente
santosduquedalmo@gmail.com

 

RESUMO

A educação iniciática é o processo de ensino-aprendizagem de exploração da consciência. É um processo andragógico, que é o inverso do processo pedagógico, voltado somente para o intelecto. Sua prática vem desde a Antiguidade e vem sendo usada há séculos na formação de ativistas de núcleos religiosos e filosóficos. Nela, a relação entre mestre e discípulo ocorre pela cumplicidade e pela realização de provas de natureza moral. Assim, podemos entender porque todos podem ser professores, mas nem todos podem ser educadores; e também porque existem crianças que são adultos e adultos que não deixaram de ser crianças.


PALAVRAS-CHAVE:
Educação iniciática. Andragogia. Processo Andragógico.


ABSTRACT

The initiatory education is the process of teaching and learning conscious ness exploration. It is an andragogical process, which is the inverse of the educational process, facing only the intellect. Its practice has existed since ancient times and it has been used for centuries in the formation of religious and philosophical core activists. In it, the relationship between teacher and student occurs through the complicity and through conducting tests of moral nature. So we can understand why everyone can be teachers, but not all can be educators; and also because there are children who are adults and adults who continues to be children.


KEYWORDS:
initiatory education. Andragogy. Andragogical process.

 

Iniciação ou Andragogia é a prática educativa utilizada em núcleos filosófico-religiosos que visa, sobretudo, despertar a consciência e, consequentemente, a formação de discípulos, agentes multiplicadores de uma determinada doutrina.

A iniciação é idêntica no que diz respeito à sua essência educativa e varia somente nas suas aplicações culturais, sendo comum tanto nas simples práticas primitivas tribais até as mais sofisticadas instituições sacerdotais. O pagé indígena, o feiticeiro ou curandeiro tribal, o padre, o pastor protestante, o xamã, o bruxo, o mago, o gurú, o pai-de-santo, a rezadeira ou benzedeira, todos são iniciados em suas respectivas áreas de conhecimento, obedecendo a princípios e regras educativas necessárias ao exercício de suas funções ou papéis. Ela também ocorre nas particularidades domésticas da iniciação sexual, principalmente entre mães e filhas, bem como na transmissão oral de tradições familiares, nas habilidades artesanais e profissionais de pais para filhos.

 

Nas civilizações teocráticas da Antiguidade oriental, esse tipo de prática educativa foi predominante porque a camada sacerdotal tinha grande influência social e política. O sacerdócio era um status diferenciado e altamente prestigiado nessas sociedades.

 

A introdução da educação iniciática oriental no mundo ocidental se deu por meio do contato da civilização greco-romana com as culturas do Egito, da Índia e da China. Sábios gregos como Heródoto, Platão e Pitágoras frequentaram núcleos iniciáticos orientais. Mas a própria metodologia de ensino de Sócrates (a maiêutica e a ironia) funcionava como um processo de iniciação no qual o discípulo tinha que romper barreiras e obstáculos para vencer etapas de aprendizagem. De todos esses sábios do Ocidente, Pitágoras foi o que mais se destacou, criando uma escola iniciática de grande prestígio na qual se ensinavam ao mesmo tempo o conhecimento racional, o fenomenal exterior (exotérico) e o fenomenal interior ou emocional (esotérico). A Matemática pitagórica tanto abrange o aspecto racional do universo (geometria) como o aspecto místico, como a teoria da perfeição numérica setenária.

 

Na Idade Média, em plena Era Metafísica, a educação iniciática voltou a ser praticada nos círculos de elite, como contestação e alternativa ao monopólio cultural teológico da Igreja (ordens religiosas em mosteiros e conventos). Nessas sociedades secretas ocultistas, os homens cultos e inquietos se reuniam para aprender e desenvolver conhecimentos proibidos. A Maçonaria é um exemplo desses núcleos, cuja origem foi a corporação de ofício dos pedreiros ou construtores ( do francês “masson” ou fazedor de massa).

 

Na Renascença, essas sociedades secretas se propagaram em função do relativo clima de liberdade estabelecido em cidades comerciais e pelas revoltas contra os abusos de poder do clero católico (Reformas). Nomes famosos como Galileu, Leonardo Da Vinci, Rafael, Miguelangelo foram iniciados nos mistérios metafísicos dessas escolas esotéricas e deixaram transparecer em suas obras os reflexos desses conhecimentos.

 

Com o advento do iluminismo e das Revoluções Liberais, as escolas iniciáticas perderam muito de sua influência devido ao estabelecimento das liberdades civis. Mesmo assim, sabe-se que muitos desses movimentos foram pensados e tramados em núcleos iniciáticos ou pelos seus ex-alunos.

 

No mundo contemporâneo, com as crises existenciais geradas pelo clima de incerteza, as escolas iniciáticas ainda sobrevivem e em determinados setores avançam como alternativa educacional da chamada Nova Era, do III Milênio.

 


CARACTERÍSTICAS MAIS COMUNS DA EDUCAÇÃO INICIÁTICA

 

    • -Ocultismo, misticismo, mistérios, enigmatismo e simbolismo;
    • -Busca do conhecimento das relações e inter-relações entre o Homem, Divindades e a Natureza;
    • -Diferenciação entre o conhecimento Exotérico e o conhecimento Esotérico;
    • -Relação de confiança entre mestre e discípulo;
    • -Regras disciplinares e de conduta (silêncio, jejum, meditação, olhar etc.);
    • -Progressão gradual dialética em etapas (graus hierárquicos);
    • -Instrumentos rigorosos de avaliação probatória;
    • -Diferenciação metodológica entre a pedagogia e a andragogia.

 

Enquanto a pedagogia está voltada para a educação existencial das crianças, a andragogia volta-se para o aperfeiçoamento consciencial dos adultos. Para tanto, esta última lança mão de métodos diferenciados da educação infantil, capazes de amadurecer o indivíduo biologicamente já desenvolvido, porém emocionalmente imaturo, por meio do processo de despertamento.

 

Essa metodologia consiste basicamente na reversão do conhecimento e no aprofundamento de experiências, do plano exotérico para a dimensão esotérica. O conhecimento esotérico está inserido no rol dos principais tipos de conhecimentos manifestados na experiência humana, a saber: o mágico, o empírico, revelado, lógico-racional, o experimental, e o intuitivo. O esoterismo enquadra-se, portanto, na esfera da revelação místico-religiosa, da qual provém a maioria dos ensinamentos espiritualistas ministrados pelas escolas iniciáticas tradicionais e também pelas principais religiões históricas das civilizações. De acordo com Platão e sua analogia sobre o efeito moral do conhecimento nas pessoas, a Verdade é como uma luz que ofusca a visão do expectador que se habituou à escuridão de uma caverna escura. Ele vai se adaptando gradualmente à medida que faz incursões de olhos vendados até que possa finalmente encarar a luz sem nenhuma proteção. A venda nos olhos é o exoterismo; tirar, por sua vez, a venda dos olhos é processo de iniciação esotérica.

 

Todas as religiões e escolas filosóficas espiritualistas, em todas as épocas, guardam duas formas básicas de expressão social: uma esotérica, voltada para os setores mais intelectualizados, cuja minoria tende sempre a formar suas elites, corporativas ou não; e outra exotérica, voltada para as massas, cuja maioria limitada intelectualmente assume significados simbólicos e ritualísticos mais acessíveis ao seu nível de compreensão. Isso significa que as religiões e filosofias possuem conhecimentos complexos que precisam ser, de uma forma ou de outra, vulgarizados, quase sempre em forma de dogmas e sacramentos cerimoniais.

 

Tudo isso, entretanto, só amplia ainda mais o fascínio que o ser humano tem pelo conhecimento esotérico. Menos palpável e realista do que os conhecimentos lógico-racional e empírico, ele não fornece provas materiais dos fatos, porém gera em todos nós uma profunda confiança na imaginação e na capacidade filosófica de cultivar as possibilidades do desconhecido. A mente humana não se alimenta apenas de convicções lógico-racionais. Nossa autorrealização depende do entendimento e da compreensão de muitas outras coisas que estão fora dessa esfera limitada da cognição racional. Além do pensamento, estão inúmeras outras experiências ainda não decifradas e que se escondem no universo dos nossos sentimentos e emoções. Somente quando estivermos suficientemente equilibrados nas três áreas vivenciais é que poderemos conviver com o conhecimento pleno e absoluto das coisas. Por enquanto, teremos que viver na relatividade. Enquanto isso, não há nada de mal especularmos nesse terreno oculto e atraente do mundo das ideias, da esorealidade da qual falava Platão.

 


O MEDO, A NECESSIDADE E A DÚVIDA:
a educação iniciática no roteiro de um filme

Entender e compreender sempre foram coisas diferentes no esforço humano para ler o grande texto do mundo. Os fenômenos que brilham diante dos olhos nem sempre repercutem da mesma forma nas mentes e nos corações. São ritmos de amadurecimento que os gregos antigos diferenciavam utilizando a metáfora do tempo: kronos, para as coisas exteriores e kairós, para as coisas interiores.

 

É assim, como diz Huberto Rohden em Educação do Homem Integral, que a Creação permite que as creaturas conheçam a natureza externa e interna, o Uno e o Verso. Tudo isso pode parecer complicado, mas é só aparência ou ilusão. Tudo se descomplica quando a vida flui com simplicidade, mesmo quando tudo se mostre de forma complexa e inatingível. Não são as coisas, somos apenas nós, nos debatendo para aceitar a verdade.

 

Há muito, muito tempo no Reino Subterrâneo, onde não existem mentiras ou dor, viveu uma princesa que sonhava com o mundo dos humanos. Sonhava com o céu azul, a brisa suave e o brilho do sol. Um dia, burlando toda a vigilância, a princesa escapou. Uma vez do lado de fora, a luz do sol a cegou… e apagou da sua memória qualquer indício do seu passado. A princesa esqueceu quem era e de onde veio. O seu corpo sofria de frio, doença e dor. E no decorrer dos anos, ela morreu. Entretanto, seu pai, o Rei, sabia que a alma da princesa retornaria, talvez em outro corpo, em outro lugar, em outra época. E ele esperaria por ela, até seu último suspiro, até que o mundo parasse de girar… O LABIRINTO DO FAUNO. Data de lançamento 1 de dezembro de 2006 (1h 52min) Direção: Guillermo del Toro. Nacionalidades Eua, Espanha, México

 

Assim, com esse relato cheio de simbologias e mistérios, começa a fantástica narrativa fílmica do diretor Guillermo Del Toro. A película foi concebida originalmente como metáfora política das lutas entre o totalitarismo e a liberdade na Espanha dos anos 1940, quando o país sofre a sua mais terrível prova desde a decadência mercantilista. Depois do conflito civil, no qual foram mortas mais de um milhão de pessoas e também serviu de ensaio para a II Guerra Mundial, o país mergulha nas trevas do fascismo franquista; matter1entretanto, ainda há a resistência dos guerrilheiros esquerdistas escondidos nas montanhas. É nesse ambiente repleto de perigos, mistérios e ciladas que ocorre essa enigmática fábula que fala da educação do corpo e da alma.
Ensina pela linguagem artística o que é e com funciona a educação iniciática; essa andragogia secreta do mundo íntimo, que acontece paralelamente na experiência social humana. Muito útil para a compreensão da moral e das verdades universais. Atentem para o nome e as características do livro que a menina Ofélia recebe do Fauno e como ocorrem as revelações contidas nele.

 

Diferente dos graus horizontais e previsíveis da pedagogia intelectual, a graduação andragógica ou espiritual ocorre no terreno vertical do imprevisível, como na Parábola do Semeador: A sala de aula é a Natureza e as lições são as circunstâncias da vida. Não há como fugir sem pagar o terrível preço da alienação. É o ser e o destino. O primeiro grau é a água (neutra, indefinida e sem gosto), o segundo é a lama (tem gosto, mas ainda está indefinida entre o sujo e o limpo) e finalmente o terceiro grau: a luz, que se define e distingue completamente dos demais, por que não mais se suja ou é impedido por nada que seja material.

 

Entre esses três graus de transformação pessoal, ocorrem as provas mais terríveis da experiência humana: a necessidade, o medo e a dúvida. São as três fases do relógio da existência (infância, vida adulta e velhice) numa só circunstância consciencial (a bússola). Ao se passar pelas provas vivenciais da iniciação andragógica, atinge-se, respectivamente, a pureza das crianças, a coragem dos adultos e a serenidade dos mais velhos. Não importa se somos crianças ou adultos, pois a iniciação não depende somente do intelecto ou da experiência do mundo social, mas, principalmente, do sentimento da coragem e os valores positivos da emoção, ou seja, da capacidade de fazer escolhas e usar o livre arbítrio. Não importam as situações, não importam as aparências, as tradições e os preconceitos. O que vai predominar é sempre a verdade, custe o que custar.

 

Como bem disse alguém na internet:“O Labirinto do Fauno” deve ser apreciado com muita atenção, os detalhes importantes estão meio que escondidos. E cabe cada um decidir o que é real e o que não é.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARMOND. Edgard. Iniciação Espírita. São Paulo: Aliança, 2010.

ROHDEN. Huberto. Novos rumos da educação. Martin Claret: São Paulo, 2005.

SCHURÉ, Edoard. Os grandes iniciados. São Paulo: Madras, 2011.


DOCUMENTOS ELETRÔNICOS

O LABIRINTO DO FAUNO. .http://www.adorocinema.com/filmes/filme-57689/ Acesso em junho de 2013.

CONFLITOS NAS ORGANIZAÇÕES: COMO LIDAR E OBTER BONS RESULTADOS.

CONFLITOS NAS ORGANIZAÇÕES: COMO LIDAR E OBTER BONS RESULTADOS.

CONFLICTS IN ORGANIZATIONS: DEALING AND GET GOOD RESULTS.

 

 

 

DANILO NUNES

Me. em Administração-UNIMONTE

Diretor geral do grupo UNIBR

                                                                                                            danilo@unibr.edu.br

 

MARCELO DI ZACRI

Especialista em Docência para o Ensino Superior -UNINOVE

UNIBR – Faculdade de São Vicente

                                                                                                                     marcelodizacri@unibr.edu.br

 

 

RESUMO

Este artigo aborda a existência dos conflitos dentro das organizações, considerando suas origens e seus efeitos sobre os grupos envolvidos. Para tanto, analisa suas diversas formas, bem como, uma gama de comportamentos deles oriundos, tendo como referência as posturas que os gestores devem apresentar frente aos grupos ou pessoas que estão em tal condição. São apresentadas as causas mais comuns dos diversos conflitos gerados dentro das organizações, assim como, as responsabilidades de cada envolvido em sua solução com vistas à extração de melhores resultados. Ao final, é apresentado o papel da liderança na condução e gerenciamento dos conflitos no sentido de maximizar os efeitos positivos e minimizar os efeitos negativos.


PALAVRAS-CHAVE:
Conflito. Organizações. Pessoas. Liderança.


ABSTRACT

This article discusses the existence of conflicts within organizations, considering its origins and its effects on the groups involved. It analyzes its various forms, as well as a range of behaviors coming from them having as reference the positions that managers must present front groups or people who are in such a condition. the most common causes of many conflicts generated within organizations are presented, as well as the responsibilities of each involved in their solution with a view to extracting better results. Finally, it is presented the role of leadership in the conduct and management of conflicts in order to maximize the positive and minimize the negative effects.


KEYWORDS:
Conflict. Organizations. People. Leadership.


INTRODUÇÃO

O presente artigo analisa a existência dos conflitos dentro das organizações, bem como, suas principais origens e efeitos sobre os grupos envolvidos. Ao final, são elencadas algumas estratégias, que, se aplicadas nas organizações, podem resultar na maximização dos efeitos positivos e minimização dos efeitos negativos decorrentes dos mesmos.

 

De acordo com Di Zacri e Garbelini (2015), é mister  o conhecimento das relações (de parceria) que se estabelecem no interior das organizações, entre o empreendedor (que detém o capital) e o colaborador (que realiza o trabalho). Cabe ressaltar, dentre os inúmeros objetivos dos empreendedores de uma organização empresarial, a intenção de perpetuação de seu negócio no mercado e a consecução de condições financeiras para sustento de suas necessidades, assim como, para reinvestimento na empresa, com vistas ao seu crescimento e modernização. Nesta perspectiva, toda empresa busca desenvolver um diferencial ou vantagem competitiva que a distinga de seus concorrentes, por meio de algo especial que apenas ela ofereça ao mercado.

 


VANTAGEM OU DIFERENCIAL COMPETITIVO

De acordo com Porter(1986), vantagem competitiva ou diferencial competitivo é o motivo ou razão pela qual os clientes escolhem sua empresa, ou seja, o “algo a mais” (grifo nosso) em sua oferta que a torna mais atrativa, fazendo com que eles (os clientes) a escolham dentre as demais ofertas disponíveis no mercado.

 

Ainda de acordo com o autor acima, vale ressaltar que, muitas vezes, este “algo a mais” (grifo nosso) não está aparente para o consumidor, apesar de se constituir no elemento essencial para a realização de seus desejos. Assim, Porter (1986) cita como exemplo as indústrias de sapatos que, apesar de possuírem os mesmos maquinários e programas, produzem vários tipos e modelos de sapatos capazes de agradar a diversos grupos de consumidores.

 

Neste sentido, para Porter (1986), a vantagem ou diferencial competitivo tem origem na atuação criativa e competente dos colaboradores que percebem e entendem o desejo dos clientes, contribuindo para sua realização. Para ele, esta “capacidade” (grifo nosso), denominada capital intelectual, tem início na atuação do colaborador, mas não se limita a ele, estendendo-se à empresa, responsável por seu aproveitamento e desenvolvimento, com vistas à ampliação de seu diferencial competitivo.

 

De acordo com Chiavenato (2004, p. 419),

Capital Intelectual é a soma de tudo que você sabe. Em termos organizacionais é o maior patrimônio de uma organização. Algo que entra e sai pelas portas todos os dias, ou seja, são os conhecimentos que as pessoas trazem em suas mentes – sobre produtos, serviços, clientes, processos, técnicas, etc. Este capital intelectual é algo que não se vê, que não é físico, nem ocupa lugar, não é contabilizado, mas está transformando rapidamente o mundo dos negócios.

 

Pode-se ainda refletir, de acordo com Di Zacri e Garbelini (2015), que o colaborador ao se candidatar a uma posição dentro de uma organização traz seus próprios desejos, dentre os quais a possibilidade de se tornar um profissional reconhecido, de ampliar sua gama de conhecimentos e de realização financeira, de modo a atingir seus anseios econômicos e sociais. Deseja também aprender sobre a empresa, seus produtos e seus serviços visando à possibilidade de galgar outros cargos na estrutura organizacional, de acordo com sua formação e dedicação.

 

Sob esta perspectiva, baseado em Chiavenato (2004), é possível destacar, no que tange ao sucesso de uma organização, a importância da relação entre esta e seus colaboradores, haja vista que dela dependem os resultados alcançados e, em decorrência destes, o atendimento ou não, dos objetivos dos grupos envolvidos.

 

Ainda de acordo com o autor, as organizações contratam colaboradores de diversos grupos sociais como forma de conquistar maiores vantagens competitivas, além de tornarem-se cada vez mais globais, pela diversificação do capital, resultante da formação de equipes heterogêneas. Essa heterogeneidade faz com os gestores e colaboradores em geral convivam com os mais diversos tipos de pessoas, com histórias, formações, experiências distintas e muitas vezes opostas. É desta convivência que surgem os conflitos.

 


OS CONFLITOS NAS ORGANIZAÇÕES
 

Sob a ótica de Chiavenato (2004), os conflitos estão presentes na vida humana, desde o início de sua existência, sendo inerentes a todas as relações humanas, tanto no que se referem aos demais seres quanto às organizações, perpassando sua própria condição humana, de modo a dar origem aos mais diversos conflitos internos.

 

De acordo com Di Zacri e Garbelini (2015), estes conflitos advêm das divergências entre a percepção de cada um sobre o imaginário e o real. Cabe ressaltar, segundo o autor, que muitos conflitos internos são resultantes da falta de consecução ou realização dos objetivos pré-estabelecidos pelo indivíduo.

 

Na perspectiva de Chiavenato (2004), os conflitos internos se tornam perigosos quando o indivíduo valoriza mais o que deu errado em detrimento do que deu certo. Nesse sentido, o indivíduo pode se frustrar com sua vida, com suas realizações e com as suas relações com as pessoas em sua volta. Dessa frustração, pode surgir a depressão que, em muitos casos, resulta em problemas muito maiores.

 

Os conflitos interpessoais, objetivo deste trabalho, ocorrem entre os colaboradores no interior das organizações que, na maioria das vezes, tentam escondê-los por entender que estes são prejudiciais à empresa ou representam a perda de controle sobre sua equipe. Em contrapartida, alguns colaboradores preferem fugir do conflito ou simplesmente fingir que ele não existe como forma de se preservar ou, de não se prejudicar em razão deles.

 

A questão central deste texto se focaliza na análise dos tipos, origem, bem como, das formas de se evitar ou administrar os conflitos interpessoais no interior das organizações empresariais.

 

Assim sendo, torna-se imprescindível assentar a análise sobre um conceito específico de conflito, haja vista que existem diversas definições para conflito, surgidas desde a mitologia grega até a atualidade. Assim, optamos pelo conceito utilizado por Thomas (1992, p. 653) ao afirmar que “o conflito interpessoal é o processo que começa quando uma das partes percebe que a outra parte a afeta de forma negativa, ou que a irá afetar de igual forma”. Segundo o autor, para existir, o conflito deve ser percebido, devendo existir interação entre os envolvidos, bem como, algum tipo de incompatibilidade entre as partes.

 

Com vistas à complementação do conceito de Thomas (1992) acerca da necessidade de gestão do conflito em busca de resultados, recorremos a Serrano (1996, p. 106), ao afirmar que “o conflito é um encontro entre duas ou mais linhas de força, com direções convergentes, mas em sentidos opostos, resultando deste encontro a necessidadede uma gestão eficaz da situação, de modoa ser retirado algo de positivo dela”. De acordo com Serrano (1996), os conflitos no interior das organizações devem ser analisados e tratados de forma que seus efeitos sejam positivos para o grupo.

 

Segundo Serrano (1996), de maneira geral e de acordo com o senso comum, os conflitos são ruins, desgastantes e prejudiciais às relações; porém, o autor afirma que, para muitos, os conflitos são benéficos e positivos, se constituindo em experiências valiosas para o crescimento das pessoas e, por consequência, das organizações, sendo que o grande desafio da administração consiste na forma de gerir as percepções destes dois grupos sobre os conflitos, posto que, sendo sua existência um fato, o que realmente importa às organizações são os efeitos ou resultados advindos ou produzidos por estes conflitos.

 

 

 AS ORIGENS DOS CONFLITOS ORGANIZACIONAIS

De acordo com Chiavenato (2004), o conflito nas organizações possui diversas origens, sendo possível agrupá-los em quatro categorias: Fatos; Métodos e Processos de Trabalho; Objetivos e Metas; e, Valores morais e éticos.

   a) Fatos:
Os conflitos na categoria Fatos têm origem na percepção humana de como as coisas ocorrem e como isto afeta a pessoa fazendo com que ela se disponha a contribuir ou prejudicar um determinado projeto. Cabe destacar, segundo o autor acima, a diferença entre fato e opinião, posto que o fato é inquestionável, “é o que é” (grifo nosso), ao passo que a opinião é individual, formada pelo histórico e percepção de cada indivíduo, mudando de acordo com seus interesses.

 

Para exemplificar esta diferença, Chiavenato (2004) destaca duas situações envolvendo a temperatura de uma sala. Na primeira, alguém diz que uma sala está fria, expressando uma opinião que decorre de uma sensação, que pode ou não ser questionada pelos demais presente na sala. Ao contrário, ao se dizer que a temperatura da sala está em 18ºC, a pessoa está constatando um fato que não será questionado pelos demais, uma vez que a medição da temperatura ocorre por meio de um instrumento de precisão.

 

Para o autor (2004), as formas como cada indivíduo percebe um fato se constitui na origem de diversos conflitos, pois cada um dos envolvidos percebe o fato de forma diferente, resultando em opiniões distintas, com as quais cada um busca defender seu ponto de vista, não se importando com os demais pontos de vista, restringindo-se à análise dos fatos, sem, no entanto, discutir sobre as distintas e diversas opiniões.

 

   b) Métodos e processos de trabalho:
Nesta categoria, os conflitos surgem a partir das opções sobre o como fazer e o que precisa ser feito, em qualquer nível de atuação. Dessa forma, cada indivíduo, a partir de suas experiências, optará por um determinado tipo de ação, tanto no que diz respeito às coisas simples, “como a forma de dobrar, furar ou grampear um documento até como desenvolver uma estratégia para um novo negócio” (Chiavenato, 2004, p. 417). Em virtude de suas vivências, cada pessoa defenderá suas ideias por entender que são as mais adequadas para aquela determinada situação.

   c) Objetivos e metas:
Conforme Di Zacri e Garbelini (2015), com vistas à realização e satisfação próprias, cada indivíduo estabelece para si, objetivos e metas distintas que variam de acordo com seus próprios interesses, mobilizando os recursos disponíveis em favor da consecução e realização destes objetivos e metas, deixando de lado, muitas vezes, os objetivos organizacionais.

 

Cabe ressaltar, segundo Bohlander, Snell e Sherman (2005) que, dentro das organizações, o colaborador deve sempre atuar com olhos voltados aos objetivos da mesma, deixando seus objetivos particulares em segundo plano.

   d) Valores morais e éticos:
Ainda segundo os autores acima, os valores éticos e morais de cada indivíduo também se constituem em motivos de conflito no interior das organizações, embora as decisões ou situações adotadas pela empresa ou por colaboradores possam ser contrárias aos valores do indivíduo, gerando nos mesmos, atitudes e opiniões diferentes das esperadas pelos demais colaboradores, assim como, pela própria organização.

 

Ainda segundo os autores, nesta perspectiva, é possível inferir que esta categoria está intrinsecamente relacionada às demais categorias, visto que, se os fatos, os métodos e processos de trabalho, bem como, os objetivos e metas existentes forem contrários aos valores do indivíduo, o mesmo tenderá a defender suas ideias e valores, resultando em conflitos de diversas magnitudes. Cabe ressaltar que, qualquer que seja a categoria de origem dos conflitos nas organizações, todas estão relacionadas a como o indivíduo se sente dentro da organização, e, como as decisões da mesma afetam este indivíduo. Dessa forma “fica claro que a gestão de conflitos dentro das organizações é mais uma das diversas ações da gestão de pessoas para a qual todo o gestor, de qualquer área, deve estar preparado” (BOHLANDER, SNELL e SHERMAN, 2005 P. 144)

 

Nesta mesma perspectiva, Chiavenato (2004) afirma que os indivíduos reagem de maneiras e formas diferentes frente aos conflitos vivenciados, indo desde o fingimento da não existência do conflito até situações que resultam no confronto físico entre os colaboradores. Ainda segundo o autor, a primeira forma com que o indivíduo pode lidar com um conflito é chamada de evasão e, se constitui na opção do mesmo em “fazer de conta” (grifo nosso) que o conflito não existe, ignorando-o, deixando-o de lado.

 

É possível afirmar, de acordo com Di Zacri e Garbelini (2015) e corroborando com o pensamento de Chiavenato (2004) que esta atitude é perigosa, pois, ao ignorar a existência do conflito, corre-se o risco de que o mesmo se amplie, atingindo proporções que resultem no descontrole total da situação no interior da organização, de modo que algo pequeno e de fácil controle atinja dimensões que dificultem ou inviabilizem sua resolução. Dessa forma, fugir do conflito não ajuda nem os colaboradores nem a organização. O referido autor afirma que outra forma muito comum de ação e/ou reação frente aos conflitos é o confronto direto entre os indivíduos, onde um “quer ter razão a todo o custo” (grifo nosso), derrotando os demais indivíduos em suas ideias ou ações, impondo ou fazendo prevalecer suas vontades, tentando, até mesmo, obrigar os outros envolvidos a reconhecerem que estão errados à força.

 

Ainda segundo o autor acima, a partir de uma situação de conflito, pode surgir uma terceira forma de ação por parte dos envolvidos, isto é, consiste na atitude de “um deixar que o outro ganhe” (grifo nosso), sem resistência ou debate. Esta forma de agir pode levar o indivíduo que abandona o conflito à uma condição de frustração que, se reprimida, pode conduzir o indivíduo a um outro conflito, dessa vez, interno, mais prejudicial e difícil de ser solucionado.

 

É consenso, no entanto, entre uma gama de autores, dentre os quais destacam-se Bohlander, Snell e Sherman (2005), Chiavenato (2004), Porter (1989) e Di Zacri e Garbelini (2015) que, estas três formas de agir não ocasionam nenhum resultado considerado positivo, tanto para os envolvidos quanto para a organização, posto que, não se transformaram em ações produtoras de melhores condições de trabalho ou melhoria na produtividade dos indivíduos e das organizações.

 

Evidencia-se aqui a questão central deste artigo, ou seja, como realizar uma boa gestão de conflitos? Neste sentido, que ações e atitudes devem ser tomadas pelos gestores e pelos envolvidos de modo que os conflitos tragam resultados positivos ou menos negativos para todos?

 


A LIDERANÇA E A ADMINISTRAÇÃO DOS CONFLITOS

Por tudo que já foi abordado e pela relação empírica dos autores, surge a grande questão: como lidar com o conflito e transformá-lo como um diferencial estratégico em quaisquer modelos de gestão?

 

De uma forma bastante prática de se abordar esta questão, pode-se afirmar que o conflito reside onde há divergências, ou melhor, diversidades culturais, éticas, morais, econômicas, sociais, técnicas ou qualquer outro valor que componha a estrutura comportamental das pessoas. O que primeiro precisamos abordar e discutir, para que de fato entendamos os caminhos que nos levam a entrar e sair de um conflito é se a diversidade é benéfica dentro de um contexto organizacional.

 

Pois bem, revisitando nossa história e a cultura que moldurou os ambientes organizacionais, bem como, um olhar crítico nos estudos antropológicos, pode-se afirmar que o ser humano cresceu sob o prisma da homogeneidade, ou seja, as pessoas têm uma tendência muito grande em se aproximar daqueles com quem se identificam em atitudes e valores; além disso, temos convicção em tecer juízo de valor errado para com aqueles que não nos identificamos.

 

A referência sou eu! Esta premissa carrega o comportamento das pessoas e faz com que busquemos em nossos semelhantes o que entendemos como o ideal.

Mas as pessoas são iguais sob o ponto de vista comportamental? Vários autores e várias pesquisas são enfáticos em afirmar que não. Se mergulharmos nas questões emocionais e nas fragilidades delas decorrentes, podemos afirmar que, em uma análise intrapessoal, não somos iguais a nós mesmos. Voltamos à discussão sobre a diversidade. Se as pessoas não têm o hábito de entender o diferente, se acomodaram por décadas a buscar o homogêneo e refutar o heterogêneo, como trabalhar o conflito?

 

Conforme já abordado neste artigo, há várias formas de analisarmos o conflito, mas o que se pode resumir de toda a literatura é que se há pessoas, há e sempre haverá conflitos, portanto, miscigenando esta afirmação ao que se pretende nas organizações, ou seja, a busca de bons resultados, precisamos aprender a lidar com eles e tirar proveito dos resultados e na visão destes autores, a fórmula não é tão complexa: precisamos evitar que os conflitos virem atritos pessoais e fiquem na esfera da diversidade como sinônimo de pluralidade. O entendimento e a prática dos modelos participativos podem ajudar, e muito, no atendimento desse objetivo.

 

Nesse sentido, o papel dos líderes ganha um significado ainda maior, pois é ele responsável direto, dentro das propostas hierárquicas que sustentam as organizações, de manter a saúde humana de uma equipe.

 

Há várias formas de um líder se preparar para administrar e até mesmo fomentar um conflito, pois este também pode ser uma boa proposta para eliminarmos ou cercarmos as zonas de conforto. Robbins, 2009, sinaliza que o conflito é gerado, em sua maioria por um ou mais dos fatores, a seguir:

 

   1.Modelos mentais: imagens, experiências, expectativas que nos guiam e que geram a nossa percepção de mundo e a forma de agir.

   2.Objetivos: falta de clareza quanto ao objetivo a ser atingido ou divergências entre eles.

   3.Métodos: quando estratégias e táticas diferem.

   4.Valores: diferença nos critérios de apreciação.

   5.Divergências intelectuais e interesses divergentes.

   6.Tensão psicológica.

O referido autor sugere um roteiro para administração do conflito:

Estágio I: Oposição potencial ou incompatibilidade: Presença de condições que criem oportunidades para que o conflito surja. Essas condições foram condensadas em três categorias gerais: comunicação, estrutura e variáveis pessoais.

Comunicação: Diferentes conotações de palavras, os jargões, a troca insuficiente de informações e o ruído no canal de comunicação são obstáculos para a comunicação e potenciais antecedentes para os conflitos.

 

Estrutura: Os grupos dentro das organizações possuem metas diferentes. Essa diversificação de objetivos entre os grupos é uma grande fonte de conflitos. Quando os grupos buscam metas diferentes, algumas sendo divergentes, o potencial de conflito cresce muito.

 

Variáveis pessoais: Uma das variáveis mais observadas no estudo dos conflitos sociais são os diferentes sistemas de valores. As diferenças de valores são a melhor explicação para as diversas questões, como preconceitos, desacordos sobre a contribuição de alguém para o grupo e a recompensa merecida. As diferenças nesses sistemas de valores são uma fonte importante de conflitos potenciais.

 

Estágio II: Cognição e personalização: É o estágio em que as questões do conflito costumam ser definidas. As condições antecedentes só levam ao conflito se uma ou mais partes envolvidas forem afetadas e estiverem conscientes disso. Há o nível em que o conflito é percebido e o nível em que o conflito é sentido.

 

Estágio III: Intenções: São as decisões de agir de uma determinada maneira durante um conflito. Precisamos inferir as intenções dos outros para sabermos como responder ao seu comportamento. Identificamos cinco intenções para a administração de conflitos:

 

   a) Competir: Desejo da pessoa em satisfazer seus próprios interesses, independentemente do impacto sobre a outra parte em conflito.

   b) Colaborar: Situação em que as partes conflitantes pretendem satisfazer os interesses de todos os envolvidos.

   c) Evitar: Desejo de fugir de um conflito ou tentar suprimi-lo.

   d) Acomodar-se: Disposição de uma das partes em conflito de colocar os interesses do oponente antes dos seus próprios.

   e) Conceder: Situação na qual cada uma das partes de um conflito está disposta a abrir mão de alguma coisa.

 

Estágio IV: Comportamento: É neste estágio que os conflitos se tornam visíveis. Este estágio inclui a declaração, as ações e as reações das partes envolvidas no conflito. Os comportamentos geralmente são tentativas de implementar as intenções de cada uma das partes conflitantes, contudo, comportamentos explícitos às vezes acabam sendo desviados de suas intenções originais.

 

Estágio V: Consequências: Os conflitos resultam em consequências. Essas consequências podem ser funcionais ou disfuncionais.

 

  1. Consequências Funcionais: os conflitos são construtivos quando melhoram a qualidade das decisões, estimulam a criatividade e a inovação, encorajam o interesse e a curiosidade dos membros do grupo, oferecem um  meio  para    o arejamento dos problemas e a liberação das tensões e estimulam mudanças.
  2. Consequências Disfuncionais: Os conflitos podem reduzir a eficácia dos grupos, pode causar deficiências de comunicação, redução da coesão do grupo e subordinação de metas; podendo, assim, paralisar o grupo e ameaçar sua sobrevivência.
  3.  


CONSIDERAÇÕES FINAIS

É possível considerar que os conflitos, tanto pessoais como interpessoais, são inerentes aos seres humanos e, por conseguinte, das organizações, uma vez que estas são compostas por seres humanos.

 

Cabe ressaltar que cada organização deve possuir e desenvolver seu diferencial competitivo ou sua vantagem competitiva, tendo no capital intelectual de seus colaboradores uma possibilidade de ampliação de sua vantagem competitiva visando seu sucesso por meio da relação entre esta e seus colaboradores, haja vista que dela dependem os resultados a serem alcançados.

 

Com relação aos conflitos nas organizações, devemos considerar duas dimensões: a primeira diz respeito aos conflitos internos do colaborador e, a segunda, diz respeito aos conflitos interpessoais, objeto de análise deste trabalho.

 

Foi possível evidenciar também que, dentre as inúmeras formas de os indivíduos lidarem com os conflitos, três formas se destacam: a evasão, onde o indivíduo “faz de conta” (grifo nosso) que o conflito não existe; o confronto direto entre os indivíduos, onde um “quer ter razão a todo o custo” (grifo nosso); e, a atitude de “um deixar que o outro ganhe” (grifo nosso), sem resistência ou debate.

 

Evidenciamos, amparados na literatura e na vivência dos autores, a necessidade latente em aprendermos, aceitarmos e trabalharmos sobre o conceito da diversidade, pois é esta pluralidade de opiniões que faz com que o conflito se constitua em uma ótima oportunidade de crescimento tanto para colaboradores quanto para a organização.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOHLANDER, G.; SNELL S.; SHERMAN A. Administração de Recursos Humanos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.

CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4ª reimp. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

DRUCKER. P.F. Administrando para o futuro. São Paulo: Pioneira, 1998.

NUNES, D. (org), Administração geral: Livro Texto Institucional. São Paulo: Pearson, 2012.

PORTER, M. E. Vantagem Competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 1989.

ROBBINS, S.P. Fundamentos do comportamento organizacional. 8ed. São Paulo: Pearson, 2009

SERRANO, G. Avanceshaciaun modelo de eficácia negociadora. Texto não publicado. Universidade de Santiago de Compostela.

Thomas, K. W. Conflict and negotiation processesin organizations. InDUNNETTE, M. D. &HOUGH, L.M. (Eds.).Handbook of industrial andorganizational  psychology. Vol. 3.2nd edition. Chicago: Rand McNally. 1992.


DOCUMENTOS ELETRÔNICOS

ZACRI, M. Di. GARBELINI, M. Conflito nas organizações: Ter ou não ter(*) Eis a questão. Novos@beres Revista Digital Acadêmica, ISSN 2447-388X, ano 1, volume 2, Itanhaém, Faculdade de Itanhaém. 2015.

Disponível em http://revistadigital.unidez.edu.br/anexos/2015-12-volume02-todos.pdf

CARTA ABERTA REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE A INICIAÇÃO CIENTÍFICA

CARTA ABERTA

REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE A INICIAÇÃO CIENTÍFICA

 

 

MARCELLO ÁRIAS DIAS DANUCALOV
Doutor em Ciências (Psicobiologia) – UNIFESP
UNIBR – Faculdade de São Vicente
marcello@e-marcelloarias.com.br

 

 

A ciência não desvela truísmos. Ao contrário, faz parte da grandeza e da beleza da ciência o fato de podermos aprender, através de investigações conduzidas com espírito crítico, que o mundo é inteiramente diverso daquilo que chegamos a imaginar, até que nossa imaginação seja estimulada pela refutação de teorias anterioresKarl Popper

 

 

No final do ano de 2013, a Faculdade de São Vicente – UNIBR – deu os primeiros passos rumo ao desenvolvimento de seu Programa de Iniciação Científica. As Diretrizes e Normas foram discutidas e aprovadas pelo nosso corpo docente. Hoje, embora ainda estejamos em uma fase embrionária, já construímos uma pequena história, cujos resultados serão publicados em uma edição especial da Revista Matter. Nela, constarão as pesquisas científicas realizadas pelos alunos participantes, durante o ano de 2015. Assim sendo, temos a responsabilidade de discutir e refletir sobre os desafios de tal projeto. Nesse sentido, os objetivos desta carta aberta são: realizar uma breve introdução sobre a Ciência; pontuar particularidades dos tão necessários e pouco compreendidos Programas de Iniciação Científica.

 

 

Seis maneiras de fruir o mundo 

Como se sabe, o homem tenta conceder sentido à sua existência desde que começou a diferenciar-se dos outros animais e iniciou sua aventura pelos territórios do pensamento.  A percepção de que está inserido na temporalidade, e, consequentemente, a constatação de que é um ser finito, provavelmente tem motivado-o na incessante busca por explicações as quais lhe apaziguem a inexorável angústia que teima em acompanhá-lo na jornada pela vida. Assim, tem buscado fruir o mundo e conceder-lhe significado por meio da utilização de distintos saberes. Em tempos remotos, os mitos foram relevantes para sua organização psíquica, e podem ter originado algumas das religiões. A arte também tem sido sua companheira desde a noite dos tempos, e tem-lhe servido de refúgio quando suas dúvidas clamam por uma explicação que transcenda os limites da linguagem falada. O senso comum, uma forma espontânea de entender o mundo, é precioso, pois, mesmo sendo uma abordagem rudimentar de investigação da vida, concede-lhe praticidade, além de auxiliar a resolver inúmeros problemas do cotidiano; porém, houve momentos em que as regras e os rigores do pensar passaram a ser necessários, quase imperativos. Pensadores da Grécia, por conseguinte, legaram à Humanidade a Filosofia – um tipo diferente de racionalidade, pautado na argumentação lógica. A Filosofia foi patrocinadora de revoluções intelectuais e progenitora da Ciência Moderna.

 

Muito se fala a respeito da Ciência; contudo, quantos de nós estamos aptos a serem seus porta-vozes? Em um livro encantador, O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro, Carl Sagannos provoca a reflexão (SAGAN, 1997, p.39):

 

Nós criamos uma civilização global em que elementos mais cruciais – o transporte, as comunicações e todas as outras indústrias, a agricultura, a medicina, a educação, o entretenimento, a proteção ao meio ambiente e até a importante instituição democrática do voto – dependem profundamente da ciência e da tecnologia. Também criamos uma ordem em que quase ninguém compreende a ciência e a tecnologia. É uma receita para o desastre. Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém, mais cedo ou mais tarde essa mistura inflamável de ignorância vai explodir em nossa cara.

 

Tendo a concordar com Carl Sagan. Durante minha trajetória profissional, estive em contato com milhares de alunos universitários. Ministrei aulas nos mais variados cursos superiores, entre outros: Medicina, Educação Física, Fisioterapia, Nutrição, Administração, Comércio Exterior, Processos Gerenciais. Por estar francamente inserido no ambiente acadêmico, e por ser a universidade o local legítimo para se falar e fazer Ciência, é de se esperar que seus agentes – alunos de Graduação, de Pós- Graduação lato e stricto sensu, assim como professores e orientadores – sejam conhecedores dessa forma de saber e fruir o mundo; todavia, não é exatamente isso que ocorre. Arriscaria dizer que, em nosso país, pouquíssimos alunos, egressos de cursos superiores – oriundos de instituições particulares ou públicas – têm uma noção minimamente esclarecida sobre a definição e o significado da Ciência. Arrisco-me a afirmar também que entre os docentes do ensino médio ou universitário a situação não é muito diferente.

 

Em muitas ocasiões, percebi que as aulas de Metodologia da Pesquisa Científica – ao menos nas faculdades particulares– são conduzidas por professores que não publicaram sequer uma boa pesquisa científica em suas trajetórias profissionais. Isso não significa que o docente não possa ser extremamente competente para ministrar outra disciplina, de cunho técnico, por exemplo. Nesse caso, a disciplina Metodologia da Pesquisa Científica passa a ser um “lugar” onde se discutem regras cosméticas de apresentação do conteúdo, sendo este, muitas vezes, um aglomerado de dados desconexos, pouco representativos daquilo que se espera de uma investigação científica, ainda que singela. Em algumas universidades públicas do país, os problemas podem ser de outra ordem, uma vez que alguns programas de mestrado ou de doutorado não se preocupam em transmitir aos discentes conceitos basilares sobre o fazer científico.

 

Eu mesmo, durante o doutorado, não recebi nenhuma informação imprescindível para a formação de um pensar científico sólido. Mais uma vez, ouso afirmar que poucos mestres e doutores brasileiros leram a obra Discurso do método de Descartes, ou obtiveram informações – ainda que superficiais -, sobre Karl Popper e Thomas Kuhn, representantes legítimos da Filosofia da Ciência, os quais nos ajudaram a compreender os alcances e os limites da Ciência; asseguro que tal lacuna não deveria existir, pois alguns pensadores – apesar de oriundos do início da modernidade – ainda são fundamentais para ampliar a crítica e a reflexão sobre os alcances e os limites do pensar científico; sendo assim, jamais deveriam ser menosprezados pelos currículos de todo e qualquer curso superior, uma vez que a compreensão do saber estaria sensivelmente maculada.

 

 

Metodologia e intersubjetividade na ciência

A Ciência se distingue das demais formas de saber pelo controle rigoroso dos agentes sociais. Nesse sentido, os conhecimentos científicos devem ser objetivos e as afirmações controladas pelos pequisadores, ou seja, intersubjetivamente controláveis. Dessa forma, os saberes emanados necessitam de compreensão, confirmação ou refuta do meio no qual se inserem; logo, todos os agentes sociais do campo científico têm direito e dever de criticar os conhecimentos oriundos do seio da Ciência. Assim, o conceito de intersubjetividade ambiciona garantir que as teorias científicas não se tornem proposições baseadas em um único ponto de vista, como muitas vezes ocorre na crença religiosa, pois alguns agentes deste campo julgam a verdade de sua doutrina como a única passível de crédito.

A Ciência alia-se também à guerra contra os autores de autoajuda – propagadores de verdades absolutas fundamentadas em meras suposições -, muitos deles enaltecidos e reproduzidos em cursos superiores, como, por exemplo, os de Administração, cujas “teorias científicas” (grifo nosso) advindas dos gurus do mundo corporativo são repassadas aos alunos como verdades inquestionáveis.

Como se disse, a distinção da Ciência é realizada por meio de procedimentos metódicos e rigorosos, os quais buscam a isenção de interesses particulares. Tais metotodologias garantem o conhecimento válido, caracterizado pela confiabilidade da observação, verificação e constatação, respaldadas pelas pesquisas científicas. Tais critérios mantêm a severidade necessária e torna o conhecimento claro, preciso e unívoco, ainda que nunca perfeito, acabado, imaculado.


Revolução Científica

A Revolução Científica iniciou-se com a publicação da obra De revolutionibus, de Nicolau Copérnico (1473 – 1543); por meio dela, ficou denominada a Ciência Moderna, em oposição à Ciência Antiga (a qual não será discutida no presente texto). Copérnico revoluciona a Astronomia ao afirmar que a Terra se move ao redor do Sol e sobre seu próprio eixo. Com a chamada inversão copernicana, não apenas o paradigma astronômico se altera de maneira radical, como também toda a concepção de mundo vigente até o século XV. Acerca deste assunto, Reale e Antiseri (2004, p. 143) comentam:

 

Mudando a imagem do mundo, muda também a imagem do homem. Mas também, progressivamente, muda a imagem da ciência. A revolução científica não consiste somente em adquirir teorias novas e diferentes das anteriores […]. Ao mesmo tempo, a revolução científica é revolução da ideia de saber e de ciência. A ciência – e esse é o resultado da revolução científica, resultado que Galileu iria explicitar com clareza absoluta – não é mais a intuição privilegiada do mago ou astrólogo iluminado, individualmente, nem o comentário a um filósofo (Aristóteles) que disse “a” verdade e toda a verdade, isto é, não é mais um discurso sobre “o mundo de papel”, mas sim investigação e discurso sobre o mundo da natureza.

 

Se Copérnico disseminou a semente revolucionária sobre a Ciência, coube a Galileu Galilei (1564 – 1642), todavia, transformá-la em prática. Para ele, os conhecimentos científicos deveriam se desvencilhar da fé e das escrituras sagradas. Caberia à Ciência a descrição do mundo físico tal como é, enquanto as doutrinas religiosas deveriam limitar-se aos assuntos da alma e sua salvação. Galileu foi um dos precursores dos testes controlados, muito embora suas experiências ainda não seguissem nenhuma metodologia, rigorosamente especificada e intersubjetivamente aceita.

 

Juntamente com Galileu, outros nomes ajudaram a fomentar o pensamento científico da modernidade, tais como Francis Bacon (1561 – 1626), cuja obra Novum Organum (1620) nos apresenta as ideias principais da Filosofia Experimental. René Descartes (1596 – 1650), também conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius, atuou como filósofo, matemático e físico e foi uma das principais personagens da Revolução Científica da Modernidade. Sua obra Discurso do método (1637) providencia alguns dos alicerces fundamentais para a constituição do método científico; de modo geral, é provável que opiniões sobre Ciência sejam emitidas sem a leitura de tal texto, infelizmente. Algo como posicionar-se sobre a atual crise política do Brasil sem ter lido a Constituição da República Federativa de nosso país.

 

No rastro do grande salto do pensamento humano, Isaac Newton (1642 – 1727) obteve a máxima expressão dentro da Revolução Científica, deflagrada por Copérnico. Com a obra Philosophiae naturalis principia mathematica –Princípios matemáticos da filosofia natural, de 1687, Newton sintetiza o conhecimento científico disponível até aquele momento, descrevendo de forma majestosa a natureza física e, a partir de sólidos referenciais metodológicos, a teoria da gravitação universal e as três leis gerais do movimento. Estabelece no livro III dos Principia algumas regras do raciocínio filosófico, diretamente relacionadas à sua maneira de pensar e fazer Ciência. De lá para cá, muitos outros capítulos foram escritos, e inúmeros personagens ajudaram a promover o conhecimento científico, inclusive com diferenciações metodológicas importantíssimas, as quais culminaram com a separação entre as Ciências Naturais e as Ciências Sociais, cujos estudos podem embasar futuros artigos nesta Revista. Por ora, no entanto, pontuo algumas questões relativas aos Programas de Iniciação Científica.

 


INICIAÇÃO CIENTÍFICA E APRENDIZAGEM

Desde o início de minha carreira acadêmica, há trinta anos, ouço discursos a respeito do tripé do Ensino Superior: Ensino, relativo ao preparo para o exercício profissional; Extensão, relativa à tomada de consciência com consequente implementação de práticas de responsabilidade social e Pesquisa, relativa ao desenvolvimento da capacidade reflexiva individual. Minha experiência, contudo, mostra-me raros exemplos de Instituições apoiadas de maneira equilibrada nesse tripé. Não raro, a Pesquisa acaba sendo deixada de lado em detrimento do Ensino e da Extensão. Sem sombra de dúvidas, cabe à Iniciação Científica o instrumento educativo de maior relevância, ou seja, a vivência do processo do conhecimento, e não somente com o produto desse processo, pois, muito mais pertinente do que o desenvolvimento de uma nova ideia ou tecnologia, a Iniciação Científica outorga ao aluno a possibilidade de desenvolver novas estratégias de aprendizagem. Além disso, o estudante terá a oportunidade prazerosa, caso seja bem sucedido, de apresentar o trabalho realizado em congressos ou publicá-lo em veículos de divulgação do pensamento científico. Esses seriam importantes passos rumo a um reconhecimento institucional e profissional. Para isso, entretanto, é imprescindível o envolvimento do corpo docente e, principalmente, dos professores orientadores, atrelados aos Programas de Iniciação Científica.

 


PERFIL DOS AGENTES ENVOLVIDOS NA INICIAÇÃO CIENTÍFICA
 

Espera-se do professor orientador a detenção de pré-requisitos, tais como:

 

   -Sólido histórico acadêmico;

   -Vivência comprovada na área com publicações relevantes (livros e artigos científicos);

   -Conhecimento da complexidade do pensar filosófico/científico;

   -Visão sistêmica da academia e de suas disciplinas;

   -Acessibilidade e motivação.

 

Por sua vez, espera-se dos orientandos, que não almejem pertencer aos Programas de Iniciação Científica motivados somente pelo desejo de conquistar os descontos advindos das bolsas de estudo concedidas por algumas Instituições, mas demonstrem características indicadoras do interesse genuíno e vocação para pesquisa, tais como:

 

   -Capacidade de observação;

   -Discernimento e acurada capacidade para propor soluções aos problemas estudados;

   -Curiosidade pelo conhecimento;

   -Vontade irrefreável de aprender;

   -Dedicação responsabilidade frente às atividades impostas pela IC;

   -Persistência, e;

   -Capacidade de convivência em equipe, assim como excelente maturidade dialógica.

 

Por seu turno, os Programas de Iniciação Científica devem estar conscientes de suas responsabilidades frente aos alunos orientandos. A Resolução Normativa nº 006 do CNPq, datada de 09/04/1996, pontua-os de maneira clara. Cabe à IC:

 

   -Desenvolver a vocação científica e estimularos estudantes de Graduação mais talentosos mediante participações em projetos de pesquisa;

  -Apresentar ao estudante universitário as características e peculiaridades do método científico, que proporcionará a ele novas maneiras de aprender;

   -Despertar no aluno uma nova mentalidade em relação à pesquisa;

   -Estimular o desenvolvimento do pensar científico, reflexivo, assim como da criatividade decorrentes das condições criadas pela confrontação direta com os desafios da pesquisa e;

   -Possibilitar a diminuição do tempo de permanência do aluno em futuros programas de Pós-Graduação.

 

Como se disse, a Faculdade de São Vicente inicia sua trajetória rumo à sedimentação da IC. Muitos são os desafios, não somente desta Faculdade, mas de toda e qualquer Instituição que almeje fomentar o desenvolvimento harmonioso do tripé Ensino, Extensão e Pesquisa. Para a solidificação, é necessário o empenho da comunidade acadêmica, de todos os professores, sem distinção de áreas ou titulação. O envolvimento do corpo docente da Faculdade de São Vicente, ainda incipiente, é de suma importância para a expansão da Iniciação Científica e, sobretudo, do pensamento científico na comunidade vicentina. Para tanto, torna-se necessário estabelecer algumas metas, tais como:

 

   -Sistematizar e institucionalizar a pesquisa;

   -Incentivar o Núcleo de Iniciação Científica da Faculdade de São Vicente, visando maiores articulações entre a Graduação e a Pós-Graduação;

   -Conceder bolsas para os programas de pós-graduação aos melhores alunos da IC;

   -Disseminar progressivamente o pensamento científico na Graduação, com introdução da disciplina Metodologia e Filosofia da Ciência em todos os cursos superiores da UNIBR;

  -Solidificar a participação docente em grupos de estudo relativos aos temas desenvolvidos nas Linhas de Pesquisa vigentes no Núcleo de Iniciação Científica da UNIBR e;

   -Favorecer a construção mais efetiva do saber.


RELAÇÃO DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA COM A GRADUAÇÃO

Por meio de minha experiência, hipotetizo que a IC possa alavancar a Graduação de muitas maneiras, sobretudo, o desenvolvimento de posturas mais críticas, no universo discente, uma vez que os alunos atrelados à IC serão disseminadores dos conhecimentos adquiridos durante a vigência de suas experiências como pesquisadores; isso pode ser constatado pelas declarações a seguir:

 

O que me levou a querer participar da IC foi uma simples pergunta que eu nunca havia sequer pensado: qual a vida que vale a pena ser vivida? Foi por não conseguir respondê-la que busquei qualificar-me para a IC. A experiência está sendo uma das melhores que já tive, pois acredito que a IC pode me ajudar muito, não só na carreira acadêmica, mas também em meu desenvolvimento pessoal, como ser humano. Os ganhos acadêmicos são devidos aos conhecimentos que estou adquirindo, assim como o conjunto de habilidades técnicas que estou aperfeiçoando. Tudo isso também tem me ajudado muitona graduação. No que tange a vida pessoal a IC também tem sido importante, pois a troca de informação que a mesma proporciona é fantástica, e eu, como aluno, tenho a oportunidade de trabalhar com pessoas extremamente esclarecidas e que tem uma maneira linda de ver e interpretar o conhecimento. A oportunidade de aprender com pessoas assim me ajuda a adquirir e fortalecer alguns de meus valores.

Henrique de Carvalho Ribeiro Cruz

Bolsista do Núcleo de Iniciação Científica da Faculdade de São Vicente – UNIBR

 

Segue o relato da aluna Natália do Carmo Dantas Cruz:

 

No ano de 2015 iniciei como aluna bolsista do Núcleo de Iniciação Cientifica da Faculdade de São Vicente – UNIBR, e após dar inicio ao aprendizado dos métodos científicos e todas as técnicas de desenvolvimento de uma pesquisa científica que culminará em um artigo, notei o quanto seria importante para minha formação acadêmica aquele aprendizado. Os trabalhos que eu desenvolvia nas disciplinas eram fracos e o meu próprio TIC – Trabalho Interdisciplinar de Curso – estava mal redigido.  Aprendi o quanto leitura é primorosa para uma boa formação. Contudo, e infelizmente, notei que durante a minha estadia na Faculdade, foram poucas as ocasiões em que vi professores adentrarem a sala de aula portando livros, incentivando e mostrando a importância daquela ferramenta no decorrer de nossa formação e por que não da vida.  Outros tantos apresentaram livros pseudocientíficos, sem fundamentação acadêmica, sem referências bibliográficas sólidas. Posso citar como exemplo o livro O corpo fala, de Pierre Weil e Rolands Tompakow, que pode até agradar o público em geral, mas não deveria ser base referencial de um curso superior. Vi poucos professores encantados que traziam em sua bagagem didática um pensamento crítico, ponderado e reflexivo. E em dois anos de Faculdade somente em duas ocasiões ouvi referências às bases de dados como a Scielo e a BIREME, uma delas na IC e outra de um professor orientador da IC. Confesso que, desde então, não ouvinenhum outro professor falar sobre essas importantíssimas fontes de pesquisa, que são muito mais ricas do que o Dr. Google. Gostaria muitíssimo que todos os alunos tivessem a oportunidade que estou tendo, pois assim, a troca de informações, até mesmo as internas – entre alunos – seriam mais proveitosas. Quero ressaltar alguns pontos fortes desta minha experiência com a IC: fiquei mais criteriosa; melhorei as interpretações de textos; as buscas por informações ficaram mais ricas; melhorei meu habito de leitura; aprendi a ler “as coisas certas”, pois julgo que não tenho mais tempo a perder com formulas universais pautadas na autoajuda; redijo trabalhos com mais primor; adquiri novas maneiras de pensar; conheci autores que me encantaram com seus pensamentos. Enfim, está sendo um aprendizado para a vida e só posso agradecer a Faculdade de São Vicente por estar tentando melhorar a cada dia.

 

Bolsista de IC da Faculdade de São Vicente – UNIBR

 

Tais declarações demonstram não só a relevância da IC como intrumento de aprendizagem, o desenvolvimento de uma postura crítica frente às informações recebidas, como também, sinalizam o papel dos professores na condução de sua prática pedagógica.


PESQUISA CIENTÍFICA: VANTAGENS E DESVANTAGENS

São amplos os sentidos concededidos à palavra pesquisa. Ela pode indicar desde atividades de busca e organização de informações até metodologias sistemáticas para compreensão de fenômenos de ordem geral. Caberá a toda e qualquer Instituição definir de maneira clara o percurso de seus Programas de Iniciação Científica e suas vantangens e desvantangens. Com relação às vantagens, segue uma série de benefícios, tais como:

 

   -Geração de um ambiente acadêmico mais competente e competitivo;

   -Desenvolvimento de um ambiente acadêmico mais crítico, onde também se possa encontrar uma sadia curiosidade pelo saber;

   -Obtenção do status de Centro Universitário;

   -Fator de atração de alunos mais criativos que poderão tornar-se, no futuro, intelectuais produtores de Ciência, potenciais agregadores de capital simbólico à Instituição;

   -Geração de bases sólidas para a Pós-Graduação;

   -Socialização do conhecimento em toda a comunidade acadêmica, desde alunos, professores de Graduação e de Pós-Graduação;

   -Externalização do conhecimento produzido pela IC e utilizado em Projetos de Extensão;

   -Diferenciação da Instituição, de mera Instituição devotada ao ensino e reprodução de saberes à Instituição promotora de saberes;

   -Aproveitamento da IC como forma de marketing institucional. O Dr. Flávio Bortolozzi afirmou, em palestra ministrada na Instituição Mackenzie em 29 de setembro de 2016 que: “Neste sentido, a divulgação da pesquisa pode ser mais atraente do que qualquer peça de propaganda feita para atrair alunos.

A pesquisa de qualidade é divulgada nos meios de comunicação qualificados, gratuitamente e confere especial prestígio à Instituição universitária a qual está vinculada.”

 

Como afirmado acima, não se pode perder de vista, entretanto, os previsíveis riscos e problemas, durante o período embrionário de implantação dos Programas de Iniciação Científica. Alguns deles são:

 

   -Produções intelectuais deficitárias e onerosas em curto prazo, o que acarretará custos para a Instituição de Ensino Superior;

   -Investimentos em recursos humanos – professores qualificados e titulados -, e em estruturas físicas minimamente adequadas.

 

Como se viu, os benefícios superam os riscos e gastos e, dentre os desafios, ressalto a necessidade da harmoniosa convivência entre alunos e professores. Há muito ouvimos a respeito da gravidade das Instituições Educacionais no repasse do ensino-aprendizagem, porém, não podemos esquecer que, todos nós, professores universitários, fomos vítimas também de um sitema educacional severamente doente. Ora, se a base do estudo é deficitária, o ápice também o será. Se a formação pretérita foi de má qualidade, haverá, indubitavelmente, lacunas a serem preenchidas, inclusive por nós, agentes do campo acadêmicos.

 

Há um ano entrei em contato com um texto provocativo de Luis Felipe Pondé. Intelectual diferenciado e pensador polêmico, Pondé é, contudo, em minha opinião, possuidor de uma capacidade argumentativa rara. A reflexão abaixo é provocativa, cáustica, ainda que necessária:

 

Sou professor e gosto de dar aula, coisa rara na área. Na maioria dos casos, Professores de universidade (ou não) são pessoas que, além de não gostar dos alunos, têm uma inteligência mediana e foram, quando jovens, alunos medíocres, que fizeram ciências humanas porque sempre foi fácil entrar na faculdade em cursos de ciências humanas. Claro que quase todos pensavam em si mesmos como Marx ou Freud ainda não revelados. Ao final, o que se revela com mais frequência é alguém fracassado que ganha mal e odeia os alunos. Professores normalmente não gostam de ler ou de estudar, mas dizem que esse pecado é apenas dos alunos. Há um enorme sofrimento na maioria dos professores porque têm de fingir o tempo todo que acreditam na importância do que fazem. A maioria sucumbe (PONDÉ, 2012, p.91)

Pondé provoca, humilha e produz toda sorte de desconforto existencial em nós, professores; todavia, sem passar por este mal estar, e sem realizar uma profunda reflexão sobre nosso estatuto    de educadores/professores, toda e qualquer iniciativa de produzir um Programa de Iniciação Científica sério e bem sucedido pode resultar somente em mais um fracasso de um país que ainda engatinha nas áreas da Ciência, Tcnologia e Educação.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARISTÓTELES.  Tópicos. [Os pensadores]. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

BACON, F. Novum organum.[Os pensadores].São Paulo: Nova Cultural, 1988.

DESCARTES, R. Discurso do método. [Os pensadores].São Paulo: Abril Cultural, 1983.

HUME, D. Tratado da natureza humana. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

________. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Editora UNESP, 2003.

KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2009.

LOSEE, J. Introdução histórica à filosofia da ciência. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Editora Itatiaia, 2000.

MAGGE, B. As ideias de Popper. 3 Ed.São Paulo: Cultrix, 1973.

_________. Confissões de um filósofo. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

NAVEGA, S. Pensamento crítico e argumentação sólida: Vença suas batalhas pela força das palavras. São Paulo: Publicações Intelliwise, 2005.

NEWTON, I. Princípios matemáticos. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

PONDÉ, L.F. Guia politicamente incorreto da filosofia: ensaio de ironia. São Paulo: Leya, 2012.

POPPER, K. Conjecturas e refutações. Brasília: Editora UNB, 1982.

POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Editora Pensamento/Cultrix, 2013.

REALE, G& ANTISERI, D. História da filosofia. Vol. 3. São Paulo: Paulus, 2005.

RYLE, G. Dilemas. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

SAGAN, C. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma chama no escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

DOCUMENTO ELETRÔNICO

GAMA, R. Entre A fé e a razão. http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/entre-a-fe-e-a-razao. Acesso em 01/11/2014.

Agradecimento especial ao Prof. Dr. Flávio Bortolozzi, que gentilmente cedeu materiais didáticos pessoais, utilizados na elaboração de algumas das ideias contidas nesta comunicação.

A HOMENAGEM NACIONALISTA DAS JOIAS H. STERN


A HOMENAGEM NACIONALISTA DAS JOIAS H. STERN.

THE NATIONALIST HONOR OF H. STERN JEWELS.

ENGELS MARX CHAGAS
Me. Engenharia Metalúrgica-UFMG
UNIBR – Faculdade de São Vicente engels.marx@unibr.com.br.

 

RITA DE CÁSSIA ARAÚJO
MBA Mercado Financeiro e Bancos – UNISANTOS
UNIBR – Faculdade de São Vicente professora@ritaaraujo.com.br


RESUMO

O objetivo deste artigo é analisar a peça publicitária de lançamento da Coleção de Joias H. Stern homenageando Oscar Niemeyer. Procedeu-se a desconstrução e a interdiscursividade da mensagem nos contextos motivacionais da homenagem e do comércio de joias no Brasil e no exterior, constatando-se a importância dos investimentos da H. Stern no mercado nacional e internacional. Realizou-se pesquisa descritiva e bibliográfica vinculadas ao homenageado e a Hans Stern por meio de dados disponíveis na literatura e no site da H. Stern, tendo se observado que o sonho é o elo entre Oscar Niemeyer e as mulheres usuárias das joias; todo empreendedor sonha com a materialização de seus projetos assim como toda mulher sonha com joias, pedras preciosas, ouro e outros metais preciosos. Esse encontro de sonhos se torna muito mais desejado nas vitrines das lojas da H. Stern. A empresa,  totalmente brasileira, tem o hábito de reconhecer seus famosos compatriotas e sempre lança coleções inspiradas em personalidade de várias áreas de atuação. A coleção abordada se inspirou nos desenhos e nas obras de Oscar Niemeyer. Tem-se como referencial teórico, dentre outros,BAKHTIN, M. (1992); Julia Kristeva (1974); Fiorin (2003); Koch (1986); Maingueneau (1997); Saussure (2008).

 


PALAVRAS-CHAVE
: Joias. Brasília, Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Hans Stern, H. Stern.


ABSTRACT

The purpose of this article is to analyze the advertising piece launch Jewels Collection H. Stern honoring Oscar Niemeyer. Proceeded to deconstruct and interdiscursivity message in the motivational contexts of honor and jewelery trade in Brazil and abroad, having noticed the importance of the H. Stern investments in domestic and international markets. A descriptive and bibliographic research linked to the honored and Hans Stern through data available in the literature and in the H. Stern site, having observed that the dream is the link between Oscar Niemeyer and women users of jewelry; every entrepreneur dreams of the materialization of their projects as well as every woman dreams of jewels, precious stones, gold or other precious metals. This meeting of dreams becomes much desired in shop windows of H. Stern. The company is totally Brazilian, has the habit of recognizing his famous compatriots and always throws inspired collections personality various areas. The approached collection was inspired by the drawings and works of Oscar Niemeyer. It has been as a theoretical reference, among others,BAKHTIN, M. (1992); Julia Kristeva (1974); Fiorin (2003); Koch (1986); Maingueneau (1997); Saussure (2008).

 

KEYWORDS: Jewels. Brasília. Juscelino Kubitschek. Oscar Niemeyer. Hans Stern. H. Stern.



INTRODUÇÃO

O objetivo deste artigo é analisar a peça publicitária de lançamento da Coleção de Joias H. Stern homenageando Oscar Niemeyer, imortalizando assim as obras e desenhos do arquiteto, no conceito de que uma joia é para sempre.

A joalheria H. Stern exporta suas joias com enorme sucesso para vários países do mundo e assim alavanca nosso PIB, trazendo-nos divisas e notoriedade.Os parâmetros de pesquisa no desenvolvimento deste artigo são:

    • -A qualidade das peças confeccionadas;
    • -A mão de obra 100% brasileira;
    • -O bom gosto para se chegar a uma peça perfeita, confeccionada por um único ourives do inicio até o final da peça.
    • -A capacidade dos artistas da joalheria H. Stern em trazer para as peças confeccionadas o espirito de toda obra de Oscar Niemeyer.

 

Este trabalho é uma pesquisa descritiva, elaborada por meio de referencial teórico bibliográfico, análise de dados em sites governamentais e institucionais. Tem como objetivo explicitar a relevância da joalheria H. Stern no mercado nacional e internacional e os investimentos efetuados pela empresa no Brasil, inclusive em outros ramos como, por exemplo, o de restaurante. O trabalho foi desenvolvido por meio de estabelecimento de relações entre variáveis mercadológicas e sociais, exaltando o personagem homenageado por meio de uma linguagem não verbal. Quanto ao delineamento, classifica-se como pesquisa bibliográfica, por ter sido desenvolvida exclusivamente a partir de fontes publicadas em vários veículos de comunicação.

 


REFERENCIAL DE MERCADO

É possível definir a coleção Oscar Niemeyer, lançada pela joalheira H. Stern como uma homenagem ao grande arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, uma vez que, antes de falecer, autorizou o uso de seus desenhos e obras como inspiração para a coleção.

 

As motivações entorno dessa coleção são diversas. Entre os vários interesses podemos citar: peças com extremo bom gosto; acabamento primoroso; procura pelo público alvo; mão de obra brasileira, desenvolvida e treinada dentro das dependências das fundidoras da empresa; exportar para vários países do mundo, levando assim nossa história e nossos designs em joias. De acordo com Rodrigues (2012) uma empresa, para se tornar exportadora, necessita internacionalizar sua marca e adotar postura de exportadora ativa. “O quarto tipo é o das empresas dispostas a fazer de tudo para atender a seu cliente, mesmo no que se refere a mudanças e adaptações de seus produtos para melhor atendimento. ” (RODRIGUES, 2012, p. 167-170).

 

Deste modo, há muito tempo, a H. Stern usa este filão de exportação para alavancar suas vendas e se fazer conhecida no mundo inteiro, por meio de suas lojas em vários países, ou de representantes comerciais, espalhados pelo mundo.

 


PERFIL BIOGRÁFICO H. STERN E HOMENAGEADOS

Hans Stern, um jovem alemão naturalizado brasileiro,em 1945 vendeu seu único bem, um acordeão por US$200,00 e com o dinheiro comprou pedras, no interior do estado de Minas Gerais.

 

Assim, deu início a uma das maiores joalherias do mundo a H Stern. Conseguiu modificar até a classificação das pedras brasileiras, como a turmalina, a ametistas, os topázios e as águas-marinhas, que eram classificadas como semipreciosas, e, hoje, devido à capacidade de visão de Hans Stern, são classificadas como pedras preciosas. Foi um grande lutador e visionário.

 

Em 1949, o alemão abriu no Rio de Janeiro a primeira loja H.Stern e em 1958 inovou ao organizar o primeiro desfile de joias. Hans nunca parou de lançar moda e idealizou o conceito de joia design. A partir disso, veio o reconhecimento internacional, que fez a marca atingir seu legado – com 160 lojas, 90 no Brasil e as restantes espalhadas por 12 países. Com mais de 300 artesões, muitos deles criados na casa, na qual desenvolvem sua arte há décadas.

 

Depois da morte do presidente da empresa, está à frente da marca Roberto Stern, filho mais velho de Hans Stern. Atual Presidente e Diretor Criativo da empresa, Roberto é responsável pelas grandes mudanças ocorridas na H.Stern, ao longo das últimas duas décadas.

 

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho foi um arquiteto brasileiro, considerado uma das figuras-chave no desenvolvimento da arquitetura moderna. Niemeyer ficou mais conhecido pelos projetos de edifícios cívicos para Brasília, uma cidade planejada que se tornou a capital do Brasil em 1960, bem como por sua colaboração no grupo de arquitetos que projetou a sede das Nações Unidas em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A exploração das possibilidades construtivas do concreto armado foi altamente influente na época, tal como na arquitetura do final do século XX e início do século XXI. Elogiado e criticado por ser um “escultor de monumentos” (grifo nosso), Niemeyer foi um grande artista e um dos maiores arquitetos de sua geração, por seus partidários. Segundo ele, sua arquitetura foi fortemente influenciada por Le Corbusier; mas, em entrevista, assegurou que isso “não impediu que [sua] arquitetura seguisse em uma direção diferente.Niemeyer se destacou por seu uso de formas abstratas e pelas curvas que caracterizam a maioria de suas obras, e escreveu em suas memórias: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, Poema da Curva de Oscar Niemeyer (Fev. 1988),publicado em TREVISAN. Como apreciar a arte (2002).

 

 

Juscelino Kubitschek de Oliveira, conhecido como JK, foi prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), governador de Minas Gerais (1951-1955), e presidente do Brasil entre 1956 e 1961. Foi o primeiro presidente do Brasil a nascer no século XX. Foi o último político mineiro eleito para a presidência da república pelo voto direto, antes de Dilma Rousseff. Foi o responsável pela construção de uma nova capital federal, Brasília, executando, assim, um antigo projeto, já previsto em três constituições brasileiras: da mudança da capital federal do Brasil para promover o desenvolvimento do interior do Brasil e a integração do país. Juscelino foi o último presidente da República a assumir o cargo no Palácio do Catete no Rio de Janeiro; foi também o primeiro presidente civil, desde Artur Bernardes, a cumprir integralmente seu mandato. Juscelino Kubitschek empolgou o país com seu sloganCinquenta anos em cinco“.  A construção de Brasília foi um dos fatos mais marcantes da história brasileira, e da política de JK no seu mandato de cinco anos como presidente, sendo uma das maiores obras do século XX. A ideia de construir uma nova capital no centro geográfico do País estava prevista na Constituição de 1891, na Constituição de 1934 e na Constituição de 1946, mas sua construção foi adiada, por todos os governos brasileiros desde 1891.

 

As obras lideradas pelos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer começaram com entusiasmo em fevereiro de 1957. Mais de 200 máquinas e de 30 mil operários – os candangos – vindos de todas as regiões do Brasil (principalmente do Nordeste do Brasil), exerceram um regime de trabalho ininterrupto, dia e noite, para construir e concluir Brasília até a data prefixada de 21 de abril de 1960, em homenagem à Inconfidência Mineira. As obras terminaram em tempo recorde de 41 meses, antes do prazo previsto. Já no dia da inauguração, em pomposa cerimônia, Brasília era considerada como uma das obras mais importantes da arquitetura e do urbanismo contemporâneos.

 


COLEÇÃO H. STERN INSPIRADA NAS OBRAS DE OSCAR NIEMEYER

Uma homenagem em linguagem não verbal na forma de joias ao talento do desenhista Oscar Niemeyer para o Dia das Mães de 2013, a H. Stern preparou um lançamento muito especial: a segunda edição da coleção H. Stern por Oscar Niemeyer (Figura 1). Numerosos desenhos de Niemeyer retrataram as curvas femininas com extrema espontaneidade e formas arquitetônicas de obras projetadas pelo arquiteto. As rampas, para Niemeyer, sempre foram muito mais do que simples acesso. As linhas sinuosas que desenham as margens dos rios e oceanos – em especial nas paisagens brasileiras – sempre foram fonte de grande inspiração para Niemeyer.

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Fonte: Revista Caras – ed. 26 de abril de 2013

Figura 1. Peça publicitária inspirada nas obras de Oscar Niemeyer, veiculada em várias mídias.

As rampas para o arquiteto são sinuosas; tornam-se passarelas capazes de percorrer espaços internos de maneira singular ou unir espaços naturais. As formas tridimensionais das colunas do Palácio da Alvorada se apoiam no chão sobre um de seus vértices e parecem flutuar sobre o espelho d’água em frente ao Palácio.Essa linha de joias nos remete a passeios memoráveis à beira mar, sobre faixas de areias intermináveis.

 

O Parque Ibirapuera integra uma rara beleza verde ao projeto arquitetônico de Niemeyer. Desprendidos de um significado restrito, os designers H. Stern se inspiraram em desenhos de origem indefinida, com a assinatura das formas irregulares do arquiteto. A obra de Niemeyer inclui também desenhos despretensiosos, como a gravura de uma mão anônima, a qual segura uma flor de quatro folhas. A obra mais famosa de Niemeyer também inspirou a H.Stern: as cúpulas côncavas e convexas do Congresso Nacional. O anel apresenta linhas contínuas e vazadas que abraçam o dedo feminino de forma leve e sensual. Essas joias reverenciam um dos ícones da poesia concreta da capital paulista, projetada por Niemeyer no lendário edifício Copan, que paira como uma onda no horizonte da metrópole desde a década de 50, contrastando com os ângulos retos, predominantes na arquitetura local.

 


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Esta parte traz uma síntese dos preceitos teóricos norteadores deste trabalho.

 

Ler é um processo cognitivo complexo das informações que produz interacionalmente conhecimentos novos para o leitor.  (Silveira, 1998 p. 37). Neste sentido, o ato de ler é objeto de estudo de diferentes disciplinas, embora durante muito tempo, tenha sido considerado como a capacidade humana de decodificar letras e palavras, a partir do conhecimento linguístico que um usuário tem de sua língua. (Palma, 1998, p. 39)

 

Assim sendo, entende-se a leitura como um processo transdisciplinar decorrente de fundamentos inter/intra/multidisciplinar interacionais. Dessa forma, na leitura, um conjunto de disciplinas se entrelaça para a produção de sentidos, dentre elas, a psicologia cognitiva, a psicologia social e a sociolinguística. A primeira privilegia a memória diferenciando-a em memória de trabalho (curto e médio prazo) e memória em longo prazo; a psicologia social e os estudos sociolinguísticos contribuem, por sua vez, para a diferenciação de representações sociais – relativas a saberes e crenças – e representações individuais – relativas a experiência do indivíduo com o mundo exterior.

 

Para o processamento textual, segundo Heinemann&Viehweger (1991) verifica-se a contribuição de três sistemas de conhecimento: o linguístico, responsável pelo conhecimento gramatical e lexical; o enciclopédico, conhecimento armazenado na memória de cada indivíduo e o interacionalpelo conhecimento sobre as formas de interação da linguagem.

 

 

A TEXTUALIDADE: CARACTERÍSTICA DA LINGUAGEM HUMANA

Hoje, o Pós-Estruturalismo está preocupado com o homem e toda a possibilidade de produção. É por isso que está preocupado com uma visão pragmática da linguagem para tratar a interação comunicativa. Preocupa-se na produção de sentidos com os dêiticos, o “eu”, o “tu”, o “ele”, o “aqui” e o “agora”. Os dêiticos e sua produção de sentidos se chamam discurso e a organização verbal desse discurso recebe o nome de texto.

 

Dessa forma, a linguagem não se define mais como Saussure propôs pelo código da língua, tampouco pelo componente da base, ao contrário, no paradigma do pós-estruturalismo a linguagem se define pela textualidade, intertextualidade e argumentatividade.

 

 

 

A TEXTUALIDADE

A textualidade é uma virtualidade da linguagem e textualizar significa organizar os segmentos do texto em um tecido outro que se é de natureza referencial chama-se coerência.

 

Segundo Beaugrande&Dressler (1973), a coerência faz parte dos sete fatores de textualidade, ou seja, coesão, coerência, informatividade, situacionalidade, intertextualidade, intencionalidade e aceitabilidade.

 

 

A COERÊNCIA TEXTUAL

A coerência textual está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela faz com que o texto tenha sentido para os usuários, devendo ser vista como um princípio de interpretabilidade do texto.

 

A coerência pode ser vista também como ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e à capacidade que o receptor do texto – que o interpreta para compreendê-lo – tem para calcular o seu sentido.

 

Trata-se, pois, da possibilidade de estabelecer, no texto, alguma forma de unidade ou relação. Essa unidade é sempre apresentada como uma unidade de sentido no texto, o que caracteriza a coerência como global, isto é, referente ao texto como um todo.

 

Em vista disso, alguns teóricos postulam que não existe texto incoerente em si, mas o texto pode ser incoerente em/para determinada situação comunicativa. Assim, será bom o texto quando o produtor souber adequá-lo à situação, levando em conta a intenção comunicativa, os objetivos, os destinatários e o uso dos recursos linguísticos.

 

Assim sendo, para dizermos que um texto é incoerente, temos de especificar as condições de incoerência, porque sempre alguém poderá projetar um uso em que ele não seja incoerente. É importante ressaltar, entretanto, que o mau uso dos elementos linguísticos e estruturais pode criar incoerência, pois se o produtor de um texto violar em alto grau o uso desses elementos, seu receptor não conseguirá estabelecer o seu sentido e o texto será teoricamente incoerente em si por uma questão de extremo mau uso do código linguístico.

 

Outros pesquisadores falam de coerência local, referente a partes do texto ou a frases ou a sequência de frases dentro do texto; e em coerência global, que diz respeito ao texto em sua totalidade.

 

A construção da coerência decorre de uma multiplicidade de fatores das mais diversas ordens. Vejamos:

 

  1. Elementos linguísticos: é indiscutível a importância de se conhecerem os elementos linguísticos do texto para o estabelecimento da coerência, embora não seja possível apreender o sentido de um texto com base apenas nas palavras que o compõem.
  2. Conhecimento de mundo ou enciclopédico: extrapola o linguístico e desempenha papel decisivo no estabelecimento da coerência. Se o texto tratar de coisas desconhecidas, será mais difícil calcularmos o seu sentido e esse texto nos parecerá destituído de coerência. Esse conhecimento é adquirido á medida que vivemos e armazenamos informações, na memória, em blocos – as chamadas estruturas cognitivas.
  3. Conhecimento partilhado: como cada indivíduo armazena os conhecimentos na memória, a partir de experiências pessoais; é, praticamente, impossível que duas pessoas partilhem do mesmo conhecimento. É preciso, entretanto, que os dois sujeitos da interlocução tenham uma parcela de conhecimentos comuns. Assim sendo, quanto maior for essa parcela, menor será a necessidade de explicitude do texto, pois o receptor será capaz de suprir as lacunas, por exemplo, por meio de inferências.
  4. Inferência: é a operação pela qual, utilizando seu conhecimento de mundo, o receptor de um texto estabelece uma relação não explícita entre dois elementos (normalmente frases ou trechos) desse texto que ele busca compreender e interpretar.
  5. Fatores de contextualização: os fatores de contextualização são aqueles que ancoram o texto em uma situação comunicativa determinada.
    • contextualizadores propriamente ditos: ajudam a situar o texto e, portanto, a estabelecer-lhe coerência: a data, o local, a assinatura, os elementos gráficos, o timbre etc.
    • perspectivos ou prospectivos: avançam expectativas sobre o conteúdo – e também a forma – do texto: título, autor, início do texto.

 

  1. Situacionalidade: refere-se ao conjunto de fatores que tornam um texto relevante para determinada situação de comunicação corrente ou passível de ser reconstituída.
  2. Informatividade: diz respeito ao grau de previsibilidade (“expectativa”) da informação contida no texto. Dessa forma, um texto será tanto menos informativo quanto mais previsível ou esperada for a informação por ele traduzida. Assim, se contiver apenas informação previsível ou redundante, seu grau de informação será baixo; se, ao contrário, contiver, além da informação esperada ou previsível, informação não previsível, terá um grau maior de informatividade; se, por fim, toda a informação do texto for inesperada ou imprevisível, ele terá um grau máximo de informatividade, podendo, à primeira vista, parecer incoerente por exigir do receptor um grande esforço de decodificação.
  3. Focalização: tem a ver com a concentração dos usuários(produtor e receptor) em apenas uma parte do seu conhecimento e com a perspectiva da qual são vistos os componentes do mundo textual. Seria como uma câmera que acompanhasse tanto o produtor como o receptor no momento em que um texto é processado. O primeiro fornece ao segundo determinadas pistas sobre o que está focalizando, ao passo que o segundo terá de recorrer a crenças e conhecimentos partilhados sobre o que está sendo focalizado, para poder entender o texto de modo adequado. Dessa forma, um mesmo texto pode ser lido de modo totalmente diferente, por causa das várias possibilidades de focalização.
  4. Intertextualidade: a noção de intertextualidade, que vem a ser um diálogo entre textos, presente num mesmo texto, é outro fator importante de coerência, na medida em que, para o processamento cognitivo (produção/ recepção) de um texto, recorre-se ao conhecimento de outros textos.
  5. Intencionalidade: refere-se ao modo como os emissores usam textos para perseguir e realizar suas intenções, produzindo, para tanto, textos adequados à obtenção dos efeitos desejados.


A INTERTEXTUALIDADE

Como se viu, a linguagem não se reduz à textualização, porque a textualização possui relação direta com a intertextualidade. Intertextualidade, segundo os pressupostos de Kristeva (1974), é o diálogo de textos, pois um texto sempre está em diálogo com outro texto. O homem textualiza porque está intertextualizando a situação de discurso com o conhecimento que ele possui interiorizado e projetando aquela situação de discurso com outras situações de discurso que existiu e que ele imagina que possam existir.

 

Julia Kristeva (1974), fundamentando-se nos estudos de Bakhtin, designou o fenômeno do dialogismo intertextual como intertextualidade. Assim sendo, para ela, um texto é sempre um intercâmbio discursivo, uma tessitura polifônica, dessa forma, a intertextualidade é vista como a interação semiótica de um texto com outro(s) texto(s).

 

Nesse sentido, a intertextualidade representa um fenômeno de semiose cultural, atuante tanto nos elementos pragmáticos, semânticos e sintáticos, quanto na história e no confronto das forças ideológicas e sociais.

 

A intertextualidade, para Koch (1986), pode ser equiparada ao que se tem sido denominado por interdiscursividade por Maingueneau (1997), o aqul afirma ser o intertexto um componente decisivo das condições de produção. Maingueneau justifica tal afirmação propondo que um discurso não vem ao mundo por si só, pois constrói-se por meio de um já-dito, em relação ao qual toma posição; todavia, a linguagem não se reduz apenas à textualização e à intertextualidade. A linguagem também se caracteriza pela argumentatividade.

 

 

A ARGUMENTATIVIDADE

Argumentar se define por levar o outro a fazer o que se quer. Há dois grandes momentos argumentativos: o convencer e o persuadir. Convencer é quando o indivíduo diz algo para o outro, imaginado que o outro não saiba do que está sendo dito. A informação que ele passa é a fim de convencer o outro de que aquilo é verdade. Persuadir é quando se imagina que o outro sabe de algo e o que se quer é fazer com que o outro abandone o que sabe e venha a aceitar o que se diz como verdade.


OS SIGNOS SIGNIFICAM

Fiorin (2003), em seus estudos sobre signos, postula que a linguagem é uma forma de interpretar o mundo.Para o autor, a realidade só tem existência para os homens quando é nomeada. Logo, os signos são formas de apreender a realidade, uma vez que o homem só percebe o mundo que a língua nomeia; entretanto, não se pode pensar que os signos sejam etiquetas, pois, dessa forma, quando alguém quisesse falar de um livro, por exemplo, mostraria o livro, e assim por diante.

Tal “sistema” ( grifo nosso) não funcionaria porque o objeto não designa tudo o que uma língua pode expressar. Dessa forma, a atividade linguística é uma atividade simbólica, pois, as palavras criam conceitos e esses conceitos ordenam a realidade, categorizam o mundo. Exemplo: o homem criou o pôr-do-sol, o qual, do ponto de vista científico ele não existe, entretanto, esse conceito criado pela língua determina uma realidade encantadora.

 

Para Saussure (2008), psicologicamente, a abstração é feita de sua expressão por meio das palavras. Logo, nosso pensamento não passa de uma massa amorfa e indistinta. Filósofos e linguistas sempre concordaram em reconhecer que, sem o recurso dos signos, seriamos incapazes de distinguir duas ideias de modo claro e constante. Tomado em si, o pensamento é como uma nebulosa onde está necessariamente delimitado. Não existem ideias preestabelecidas, e nada é distinto antes do aparecimento da língua.

 

Assim sendo, as palavras formam um sistema autônomo, que não depende do que elas nomeiam; significa que cada língua pode categorizar o mundo de forma diversa. Além disso, um signo é sempre interpretável por outro signo: no interior do mesmo sistema pelos sinônimos, pelas paráfrases, pelas definições; em outro sistema, em outra língua, por exemplo, pela tradução; portanto, a dificuldade de traduzir indica que não há univocidade na relação entre os nomes e as coisas.

 

Segundo Fiorin (2003), a mesma realidade, a partir de experiências culturais diversas, é categorizada diferentemente. Nenhum ser do mundo pertence a uma determinada categoria, os homens é que criam as categorias e põem nelas os seres.

 

O significado, para o autor, é composto de traços funcionais, como, por exemplo, um animal: morde/não morde; mata serpente/não mata serpente; come cereais/não come cereais; e qualificacionais: com corpo grande/com corpo pequeno; com cabeça quadrada/com cabeça redonda; com cauda enrolada/com cauda reta.

 

 

COMPOSIÇÃO E VALOR DOS SIGNOS

A designação dada ao signo, na Idade Média, era aliquid pro aliquo – alguma coisa em lugar de outra. Para tal definição, o signo não é a realidade. Segundo Saussure (2008), o signo não une um nome a uma coisa, mas um conceito a uma imagem acústica, que não é o som material, físico, mas a impressão psíquica dos sons, perceptível quando pensamos em uma palavra, mas não a falamos.

 

Saussure (2008) denomina significado ao conceito e à imagem acústica, significante. Não existe significante sem significado; nem significado sem significante, uma vez que o significante sempre evoca um significado, enquanto o significado não existe fora dos sons que o veiculam. Portanto, o significado não é a realidade que ele designa, mas a sua representação.

 

De acordo com Fiorin (2003), a definição de signo dada por Saussure é substancialista, uma vez que trata do signo em si, como a união de um significante e um significado.

 

Para o linguista dinamarquês Hjelmslev (2009), o signo é a união de um plano de conteúdo a um plano de expressão. Na concepção de Hjelmslev, cada plano compreende dois níveis: a forma e a substância. Assim sendo, há uma forma do conteúdo e uma substância do conteúdo; uma forma de expressão e uma substância de expressão.

 

Fiorin (2003) entende que a forma corresponde a um conjunto de diferenças. Nesse sentido, para estabelecer uma definição formal de um som ou de um sentido, é preciso estabelecer oposições entre eles por traços, pois os sentidos não se opõem em bloco. Por exemplo: em português, há uma oposição entre homem/mulher. Embora tenham o traço comum /humano/, há uma distinção por meio do traço /masculinidade/X/feminilidade/; todavia, como na Língua Portuguesa não há um termo para indicar o ser humano em geral, esse conteúdo recai sobre o homem. Logo, a relação entre as palavras homem e mulher determina que o termo homem tenha dois valores diferentes: “ser humano” e “ser humano do sexo masculino”.

 

Dessa forma, a substância da expressão são os sons e a substância do conteúdo, os conceitos. Sons e conceitos são gerados pela forma e não preexistem a ela. O conceito de homem, em português, “ser humano” e “ser humano do sexo masculino” é criado pelo fato de ele se opor a mulher e não se opor a um terceiro termo, como em latim, por exemplo, em que o conceito de homem é apenas o de ser humano.

 

Nesse sentido, para Hjelmslev (2009), o signo une uma forma de expressão a uma do conteúdo. Essas duas formas geram duas substâncias, uma da expressão e uma do conteúdo. A forma da expressão são as diferenças fônicas e suas regras combinatórias; a forma do conteúdo são diferenças semânticas e suas regras combinatórias; a substância da expressão são os sons; a substância do conteúdo, os conceitos. Para tal teórico, a Linguística deve estudar a forma tanto da expressão quanto do conteúdo.


DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

A linguagem autoriza alterações de significado, de violações semânticas quando se ultrapassam as fronteiras estabelecidas entre o animado e o inanimado, o humano e o não humano, o concreto e o abstrato etc.

 

Como signo conotado, entende-se não apenas que ocorreu uma mudança de sentido, mas, sobretudo, que houve uma relação entre o significado que se acrescenta e o significado já presente no signo denotado. Logo, deve existir um traço comum.

 

Os dois mecanismos principais da conotação são a metáfora e a metonímia.

 

A metáfora é o acréscimo de um significado a outro, quando entre eles existe uma relação de semelhança, de intersecção. Essa relação indica que há traços comuns entre os dois significantes.

 

A metonímia é o acréscimo de um significado a outro, quando entre eles há uma relação de contiguidade, de coexistência, de interdependência.

 

A sinédoque é um tipo de metonímia, em que a relação entre os dois significados é uma relação de inclusão, que não deixa de ser um tipo de contiguidade, de coexistência. Essa relação ocorre, quando um significado indica a parte e o outro, o todo; um expressa o conteúdo e o outro, o continente. Logo, a parte está incluída no todo; o conteúdo está incluído no continente.

 

Fiorin (2003) ressalta que a metáfora e a metonímia não aparecem apenas na linguagem poética, uma vez que a linguagem cotidiana também está repleta dessas conotações: batalha dos preços, a guerra contra a inflação, afogar-se num copo d’água etc.

 

Para ele, se signo é toda produção humana dotada de sentido, a metáfora e a metonímia, signos conotados, podem ter a dimensão de uma palavra, de uma frase, de um texto.

 

 

CLASSIFICAÇÃO DOS SIGNOS

Fiorin (2003) aprofunda a classificação dos signos por meio do modelo de Adam Schaff (1969). Essa classificação abrange todo tipo de signo, ou seja, unidade em que há uma relação entre uma expressão e um conteúdo, e ao mesmo tempo, procura respeitar as noções correntes dos termos utilizados para dar nomes aos tipos de signos, como símbolo, sinal etc.

 

Nesse sentido, podem classificar-se em signos naturais e signos artificiais (ou signos propriamente ditos). Os primeiros são os fenômenos da natureza que servem de veículo para nos fazer perceber um fenômeno natural. São expressões de um dado conteúdo. São denominados também índices ou sintomas. Exemplos: a fumaça (expressão) indica a existência de fogo (conteúdo); nuvens negras indicam que vai chover; a febre é um sintoma de problemas de saúde, etc. Os signos artificiais ou propriamente ditos são os produzidos para fins de comunicação. Exemplos: as palavras, os sinais de trânsito. Eles são os resultados de um acordo deliberado, em que uma convenção estabeleceu os signos que orientariam os homens, o trânsito etc.

 

Fiorin (2003) destaca que os signos artificiais podem ser divididos em signos verbais e signos com expressão derivativa, uma vez que têm funções na interpretação das diferentes linguagens.

 

Os signos verbais são interpretantes de todas as linguagens, enquanto os signos de outras linguagens nem sempre podem interpretar os signos linguísticos. Um filme, por exemplo, pode ser contado verbalmente, todavia, nem tudo que exprime pode ser dito visualmente.

 

Os signos com expressão derivativa distinguem-se em sinais e signos substitutivos. Sinais são causados ou utilizados especialmente para suscitar uma reação pré-combinada e acordada, quer em grupo, quer individualmente, sob a forma de manifestações definidas da atividade humana. Os sinais são os signos que levam o homem a fazer uma ação, a fazer ou não alguma coisa. Exemplo: o apito do juiz em um campo de futebol paralisa o jogo; o vermelho do semáforo faz parar etc. O sinal é resultado de acordo explícito, válido para um certo grupo de pessoas. Tem como propósito modificar, iniciar ou sustar uma ação; só é usado quando se pretende provocar o comportamento humano que ele deve suscitar. Os signos substitutivos são usados para representar alguma coisa. Exemplos: uma foto de uma paisagem representa uma paisagem; uma maquete, uma construção; a bandeira, a pátria etc.

 

De acordo com a natureza do significado, os signos substitutivos distinguem-se em signos substitutivos stricto sensu e símbolos.

 

No Stricto sensu, o significante expressa um significado concreto. Por exemplo: um autorretrato, cujo significado é pessoa que pintou o quadro, uma planta de uma casa, cujo significado uma determinada construção.


ESTUDOS DO DISCURSO

De acordo com Barros (2003), a semiótica tem o texto, e não a palavra ou a frase, como seu objeto e procura explicar os sentidos do texto, ou seja, o que o texto diz, e, além disso, os mecanismos e procedimentos que constroem os seus sentidos.

 

Tais procedimentos são de dois tipos: a organização linguística e discursiva do texto e as relações com a sociedade e a história. Para a autora, o texto se organiza e produz sentidos, como um objeto de significação, e também se constrói na relação com os demais objetos culturais, pois está inserido em uma sociedade, em um momento histórico e é determinado por formações ideológicas específicas, enquanto objeto de comunicação.

 

Nesse sentido, pode ser definido por uma organização linguístico-discursiva e pelas determinações socio-históricas, e, construído, dessa forma, por dois tipos de mecanismos e de procedimentos que muitas vezes se confundem e se  misturam, o texto, objeto da semiótica, pode ser tanto um texto linguístico, indiferentemente oral ou escrito, quanto um texto visual, olfativo ou gestual, ou, ainda, um texto que se sincretizam diferentes expressões, como nos quadrinhos, nos filmes ou nas canções populares.

 


AMOSTRA ANALISADA:
É preciso a noite para surgir o dia.

Esta parte apresenta, a partir dos aspectos anteriormente elencados, a análise realizada.

 


Levantamento dos aspectos textuais

A presente análise é composta dos elementos textuais dispostos nos itens destacados.

 

Símbolos

O símbolo é um elemento concreto que representa um abstrato (religiões, sistemas sociais, noções). Exemplos: enquanto no ocidente a cor preta significa o luto; em algumas sociedades orientais, o branco tem esse significado; a balança significa a justiça; a cruz gamada, o nazismo.

 

Na amostra, verificam-se como símbolos as formas arquitetônicas de Brasília, citadas anteriormente.

 

Significados de nomes

 

Hans Stern, nome do proprietário e fundador da joalheria H.Stern a qual leva seu nome até a presente data.

 

Significado das cores

Branco: Os elementos com fundo de cor branca são interpretados como conteúdos reais. Os usuários ignoram os textos com fundo de cor.

 

Significado dos números

Número 2 (par) significa o casal e também um número inteiro.

Disposição da imagem na página, no caso do texto publicitário.

matter2

Fonte: Revista Caras – ed. 26 de abril de 2013

Figura 3. Peça publicitária inspirada nas obras de Oscar Niemeyer, veiculada na Revista Caras.

Importância da disposição da imagem, no caso do texto publicitário, deve-se ao fato do texto ser editado em página dupla, o que dá uma visão mais nítida ao leitor.

 

No lado direito da página, encontra-se o objeto de desejo, ou seja, a joia e acima da joia o nome da empresa.

 

No lado esquerdo da página, encontra-se a evolução do desenho da arquitetura, a qual originou o título do trabalho.

 

A Intertextualidade

Como se disse, um texto é sempre um intercâmbio discursivo, uma tessitura polifônica, dessa forma, a intertextualidade é vista como a interação semiótica de um texto com outro(s) texto(s).

A interdiscursividade

Para Maingueneau (1996), um discurso não vem ao mundo por si só, pois constrói-se por meio de um já-dito, em relação ao qual toma posição.

 

Tipos de Discurso

 

Discurso Feminino: O texto trata de uma joia, ou de várias joias que compõem a coleção de joias inspiradas nos traços do arquiteto Oscar Niemeyer, que serão usados por mulheres do mundo inteiro.

 

Discurso Histórico: o texto trata da bibliografia de Hans Stern, Oscar Niemeyer, Juscelino Kubitschek, também da história da construção da Cidade de Brasília e da descoberta do ouro.

 

Discurso Visionário: O texto trata do encontro de Hans Stern, Oscar Niemeyer, Juscelino Kubitschek, na construção da peça em análise.

 

Denotação x Conotação

De acordo com Fiorin (2003), se signo é toda produção humana dotada de sentido, a metáfora e a metonímia, signos conotados, podem ter a dimensão de uma palavra, de uma frase, de um texto. Verificamos a conotação dada à obra de Niemeyer, transformada em joia.

 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa realizada para a elaboração do texto nos leva a pensar que a homenagem prestada a Oscar Niemeyer, pela a H. Stern, reuniu três personagens nacionais com um ponto comum: visionários como Don Quixote, o qual lutou contra moinhos de ventos (intertextualidade implícita), imaginando lutar com soldados reais. Esses personagens foram visionários por terem a visão futurista de um Brasil melhor.

 

Homens com coragem, determinação, audaciosos, de instinto realizador e com uma visão muito empreendedora.

 

Têm-se três ícones da história do Brasil (interdiscursividade): um visionário, que enxergou nas pedras brasileiras um rastro de sucesso e beleza. Outro, o qual avistou na arquitetura, nos desenhos arrojados um modo de levar o Brasil a ser referência em termos arquitetônicos no mundo inteiro; e um terceiro visionário com um projeto no qual ninguém acreditava, e o realizou com uma visão arrojada e corajosa. Homens com coragem, determinação, audaciosos, de instinto realizador e com uma visão muito empreendedora.

 

Juscelino, um empreendedor destemido; Niemeyer, um artista além de seu tempo; Hans, um homem que acreditou nas riquezas das pedras preciosas brasileiras, e as fez conhecidas no mundo todo. Juscelino queria uma cidade nova; Niemeyer, uma arquitetura de ruptura canônica e Hans, eternizar o belo por meio do ouro e das pedras preciosas nacionais.

 

Tais personalidades, individualmente, eternizaram uma cidade, a arquitetura moderna e para sempre as joias, cuja beleza perpetuará seus nomes.

 

A coleção estudada estabelece uma mensagem rica de aspectos linguísticos, semióticos, intertextuais, interdiscursivos na legibilidade de imagens e do texto “É preciso a noite para surgir o dia”. O texto remete a uma integração de valores dos homenageados: o Nacionalismo comum e as atitudes empreendedoras de todos eles.

 


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IMPLANTAÇÃO DE TELEFÉRICOS PARA CONTÊINERES NA SERRA DO MAR – UM PROJETO POSSÍVEL

IMPLANTAÇÃO DE TELEFÉRICOS PARA CONTÊINERES NA SERRA DO MAR – UM PROJETO POSSÍVEL.

CABLE CARS FOR CONTAINER DEPLOYMENT ON SERRA DO MAR – A POSSIBLE PROJECT.

 

MILTON CARVALHO LOPEZ

 MBA em Operações Logísticas

Unimes-Santos

 UNIBR – São Vicente

milton.lopez@unibr.edu.br

 

RESUMO

Este artigo trata do estudo de uma solução aos problemas ambientais, gerados pelo transporte de contêineres na Serra do Mar. Versa também sobre  possíveis soluções, visto que, atualmente, é feito por meio de caminhões os quais utilizam o modal rodoviário. Sugerimos a utilização do modal aéreo por meio de teleférico de contêineres a ser instalado na Serra do Mar, ligando o porto à região de Paranapiacaba. Foi estudada a importância da preocupação com o meio ambiente e as transposições viárias, realizadas na Serra do Mar e os problemas em virtude das características da região. Por último, dissertou-se sobre os impactos ambientais do transporte rodoviário e aéreo via teleférico, concluindo que, do ponto de vista ambiental, o transporte de cargas através de contêineres na Serra do Mar com a utilização teleférica é mais vantajoso, pois causa menos impactos negativos e mais positivos em comparação com o rodoviário.

 
PALAVRAS-CHAVE: Transporte. Contêiner. Teleférico. Meio Ambiente. Serra do Mar.

 

 

ABSTRACT

This article deals with the study of a solution to environmental problems generated by the transport of containers in Serra do Mar. About is also possible solutions considering that nowadays it is done by trucks which use the road transportation. We suggest the use of air transportation by containers cablecars to be installed in the Serra do Mar and linking the port to Paranapiacaba region. The importance concerning the environment and road transpositions, held in the Serra do Mar and the problems due to the characteristics of the region were studied. Finally, one discoursed on the environmental impacts of road and air transport via cableway, concluding that, from an environmental point of view, the cargo transportation by containers in Serra do Mar with cablecar use is more advantageous because it causes less negative impact and more positive compared with the road.

 
KEYWORDS: Transport. Container. Cable car. Environment, Serra do Mar.

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

A estrutura logística do porto de Santos estará saturada em curto prazo devido aos constantes congestionamentos e ao crescimento projetado para o porto de Santos; tal sobrepeso afetará o fluxo rodoviário nas vias de acesso para a Baixada Santista.

Do ponto de vista ambiental, a sobrecarga no Sistema Anchieta/Imigrantes causa impactos ambientais negativos, degradando uma área já afetada por transposições viárias anteriores.

A construção de outro sistema rodoviário pode ser onerosa e causar impactos ambientais negativos em uma região que, por suas características físicas e biológicas, possui uma grande diversidade de espécies e beleza excepcional.

Nesse sentido, este artigo traz a síntese de um projeto idealizado, com o objetivo de desafogar o tráfico na Serra do Mar, minimizando os impactos ambientais e considerando as características da região. Trata-se de um sistema de transporte aéreo de contêineres, denominado Otimização do Transporte de Contêineres na Serra do Mar, por meio de Teleféricos.

Seria um teleférico destinado exclusivamente para cargas, que ligaria o Porto a um pátio retroportuário, instalado na Vila de Paranapiacaba, região pertencente ao município de Santo André.

De acordo com Fogliatti (2004), os sistemas de transportes são essenciais à sociedade e influenciam no desenvolvimento econômico das nações, porém trazem impactos ambientais negativos.

 

Segundo Ilversteins (1993), a saúde dos ecossistemas e a riqueza das economias mundiais têm o movimento das marés cheias ou vazias, uma a seguir da outra.

Entender os princípios e as práticas desta relação entre economia e meio ambiente poderá determinar o sucesso de organizações e nações (Silversteins,1993).

No Brasil, mais especificamente na região sudeste, a Serra do Mar apresentou-se como uma barreira ao escoamento das riquezas para o litoral portuário. (Santos, 2004).

Este artigo apresenta também uma reflexão acerca dos impactos para o meio ambiente, oriundos do transporte rodoviário por meio da Serra do Mar, comparados ao transporte por teleféricos.

A fundamentação teórica é constituída de levantamento e avaliação de bibliografia em relação à gestão e aos impactos ambientais

Depois da década de 90, a responsabilidade ambiental ganhou notoriedade, devido à divulgação dos resultados da Primeira e Segunda Conferência Mundial da Indústria sobre o gerenciamento ambiental ocorridas em 1984 e 1991. Em 1992, delegações de diversos países vieram ao Rio de Janeiro discutir sobre sustentabilidade e instituíram objetivos concretos para o desenvolvimento de um planeta sustentável. Como consequência desse encontro, surgiu a Agenda 21 (Dias, 2006).

As organizações preocupadas com essa realidade perceberam que não bastava somente prestar um bom atendimento aos clientes, mas também investir em políticas educacionais e de preservação ao meio ambiente. Estes encontros mundiais, além de mudarem a consciência das organizações, tornaram a população mais atenta, exigente e preocupada com os problemas enfrentados. A fiscalização e as leis ambientais ficaram mais rígidas, forçando a mudança de postura das empresas (Dias, 2006).

 

A  preocupação com a gestão ambiental dentro das organizações deixou de ser apenas uma forma de evitar problemas legais e passou a ser um diferencial competitivo. A gestão ambiental agrega valor à empresa quando se trata de fusões e aquisições, retorno de ações e argumentos de negociação; em virtude disto, é crescente o aumento de investimento em gestão ambiental (Seifert, 2006).

Atualmente, há uma cobrança evidente por parte dos clientes com a organização e como consequência as empresas cobram os seus profissionais e fornecedores, além de fazerem altos investimentos no estabelecimento de uma política ambiental e na criação de um eficiente sistema de gestão ambiental. Para a empresa se inserir no mercado internacional é necessário obedecer a diversos critérios internacionais, tal como a ISO 14000, no qual a mesma é fiscalizada em todo o seu processo. O papel da empresa migrou da prestação de serviços para uma importante difusora de valores e práticas ambientalistas (Dias, 2006).

 

GESTÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Segundo Barbieri (2007), meio ambiente é tudo que envolve ou cerca os seres vivos. Assim sendo, meio ambiente deve ser um local em que a vida existe ou pode existir, e é ainda condição para a existência da vida. O meio ambiente se divide em natural, que é o biológico natural, e o artificial que foi alterado, construído pelo homem, Há uma relação de interdependência entre o ambiente físico e os organismos que ali habitam. Desta maneira, qualquer mudança em uma das partes pode influenciar a outra (Barbieri, 2007).

O homem ao utilizar o meio ambiente para obter recursos para a produção de bens e serviços e ao despejar materiais não aproveitados pode causar problemas ambientais. Isso ocorre caso o ambiente não consiga se regenerar na mesma velocidade em que o homem se utiliza dele. Assim, os impactos ambientais são medidos de acordo com a capacidade do meio ambiente de se regenerar (Barbieri, 2007).

 

 

FONTE DE RECURSOS

Para produzir bens ou serviços que atendam às necessidades e aos desejos, o ser humano utiliza recursos naturais diversos. Todos os recursos naturais podem se renovar por meio de seus ciclos naturais, contudo são classificados tradicionalmente entre renováveis e não renováveis de acordo com a perspectiva humana (Barbieri, 2007).

Renováveis são os recursos obtidos indefinidamente de uma mesma fonte, e se dividem entre os que se alteram com o uso, e os que não se alteram. Um exemplo dos que se alteram com o uso é o trigo, que se renova a cada colheita, mas a qualidade varia de colheita a colheita, dependendo de diversos fatores com qualidade de solo, clima etc. Entre os que não se alteram, temos a energia solar, que é constante (Barbieri, 2007).

 

Não renováveis são os que possuem uma quantidade finita, e podem ser separados entre os que esgotam e os que podem ser reutilizados. O gás natural é um exemplo de produto não renovável que se esgota, pois independente do uso que se faça dele, seu recurso tem fim; os metais como ferro e o cobre, apesar de terem fim, podem ser reciclados ou reutilizados; contudo, nenhum material é totalmente reciclável, visto que sempre ocorrem perdas nos processos de reciclagem (Barbieri, 2007).

 

Há ainda uma terceira classificação que são os recursos os quais podem ser renováveis ou não renováveis, dependendo do uso. Neste grupo, o maior exemplo é a água, se utilizada para regar plantações, por exemplo, se renova; contudo a água potável é um recurso escasso e finito (Barbieri, 2007).

 

RECIPIENTE DE RESÍDUOS

Todos os seres vivos utilizam recursos do meio ambiente e devolvem as sobras que, ao se decomporem, se tornam elementos químicos, absorvidos por outros seres vivos. As sobras das atividades humanas não se comportam dessa maneira. Por isso, são denominadas poluição (Barbieri, 2007).

Impacto ambiental é qualquer alteração das características físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente, atribuídas pelas atividades humanas, Pode ser dividido entre impacto ambiental negativo e positivo (Fogliatti, 2004).

 

O impacto ambiental é positivo quando seu resultado é benéfico para o meio ambiente. Já o negativo, causa prejuízo à sobrevivência ou às atividades dos seres humanos e das demais espécies (Fogliatti, 2004).

As fontes poluidoras são divididas entre pontuais, que podem ser localizadas e controladas mais facilmente, como o lançamento de esgoto doméstico e industrial; ou dispersas, de difícil monitoração e controle, como os gases expelidos por escapamentos de veículos automotores (Braga, 2002).

A percepção dos problemas ambientais, gerados pela poluição, iniciou-se nas proximidades das unidades poluidoras, expandindo-se depois para regiões e países, até chegar a níveis globais (Barbieri, 2007).

 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Desenvolvimento Sustentável, segundo relatório Nosso Futuro Comum, é atender às necessidades da geração presente sem comprometer a habilidade das gerações futuras de atenderem as suas necessidades (Braga, 2002).

Este conceito nada mais é do que um ato de fé ou um desejo filosófico, pois pré dispõe uma previsão das necessidades das futuras gerações. Outro ponto interessante é que os parâmetros de desenvolvimento sustentável variam, pois alguns países estão mais desenvolvidos que outros (Braga, 2002).

 
GESTÃO AMBIENTAL

Gestão ambiental é considerada um conjunto de diretrizes e atividades administrativas e operacionais tais como planejar, controlar e alocar recursos para obter efeitos positivos sobre o meio ambiente e reduzir os impactos negativos causados pelas atividades humanas (Barbieri, 2007).

 

Uma mudança nos hábitos de consumo tem criado mercado para empresas com imagem ambientalmente adequada, tornando a gestão ambiental uma vantagem competitiva.

No Brasil, a evolução da gestão ambiental tem se caracterizado pela desarticulação das instituições envolvidas, escassez de recursos financeiros e humanos e falta de coordenação. O meio empresarial brasileiro apesar de ainda considerar os problemas ambientais secundários tem sido pressionado pelo governo que, a partir de 1980, tem publicado uma série de regulamentações, restringindo a poluição industrial (Seiffert, 2008).

 

ISO 14.000

As normas ISO (International Organization for Standardization) 14.000 figuram entre os resultados das discussões em torno dos problemas ambientais e de como promover o desenvolvimento econômico. Trata-se de uma família de normas que resulta em uma certificação de um Sistema de Gestão Ambiental que atualmente é um requisito essencial para as empresas as quais desejam escoar seus produtos no mercado globalizado (Seiffert, 2008).

Os parâmetros de desempenho ambiental dos processos de uma empresa são atribuíveis à legislação ambiental vigente. As ISO (International Organization for Standardization) 14.000 são normas que têm como objetivo padronizar os processos ambientais das empresas, estabelecendo uma base comum para a gestão ambiental mais uniforme, eficiente e eficaz no mundo inteiro (Seiffert, 2008).

 

As normas ISO 14.000 têm sido implantadas para evitar o surgimento de futuras barreiras não tarifárias ao comércio de produtos e serviços, assegurando assim uma fatia maior de mercado a competir para as empresas credenciadas por elas. (Seiffert, 2008).

Um dos requisitos para a implantação da ISO 14.000 é o cumprimento da legislação ambiental pertinente a atividade de cada empresa (Seiffert, 2008).

 

LICENCIAMENTO AMBIENTAL

Para que um projeto de construção, instalação, ampliação e/ou funcionamento de atividades utilizadoras de recursos ambientais ou potencialmente poluidoras seja executado é necessária uma licença ambiental. Licença Ambiental é um ato administrativo emitido pelo órgão ambiental competente. Este ato tem a função de estabelecer as condições, restrições e medidas de controle ambiental que devem ser obedecidas pelo executor do projeto (Fogliatti, 2004).

 
SERRA DO MAR, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS, TRANSPOSIÇÕES VIÁRIAS E IMPACTOS AMBIENTAIS

A Serra do Mar sempre foi uma grande barreira ao transporte e à colononização do interior da região sudeste do Brasil. Até 1800, as vias de penetração praticamente não melhoraram em relação às trilhas indígenas da época do descobrimento do Brasil (Santos, 2004).

 
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

Denomina-se Serra do Mar a escarpa montanhosa da borda oriental do planalto Atlântico, que se estende do Estado do Rio de Janeiro ao Estado de Santa Catarina. Possui desníveis médios de 1.000 quilômetros (Santos, 2004).

O clima da Serra do Mar é tropical, quente e úmido com temperatura média de 19 graus Celsius. Os índices pluviométricos nas cotas mais altas da Serra registram medias anuais de 4.000 milímetros e no sopé da escarpa médias anuais em torno de 2.500 milímetros. A precipitação principalmente nos meses de janeiro, fevereiro e março onde 70% da chuva de todo o ano cai (Santos, 2004).

 

A vegetação é denominada Floresta Atlântica de Encostas e tem como principais características:

  1. a)Grande diversidade florística.
  2. b)Árvores com no máximo 25 a 30 metros.
  3. c)Raízes superficiais e subsuperficiais intensas e densas.
  4. d)Floresta densa com ambiente interno úmido e abafado.
  5. e)Diversas espécies nativas.
  6. f)Solo recoberto com manto de restos vegetais (Santos, 2004).

A floresta Atlântica de Encostas é uma das mais antigas formações florestais brasileiras e teve sua formação datada de 65 milhões de anos. Desde então, a floresta sofreu intensas alterações em virtude das variações climáticas (Santos, 2004).

 
ORIGEM DOS CONHECIMENTOS

Há muitos anos, os cientistas têm estudado a evolução das encostas da Serra do Mar. Em virtude disso, a compreensão da dinâmica externa da Serra do Mar está bastante avançada (Santos, 2004).

Os geomorfólogos foram os primeiros cientistas. Estudaram a evolução da morfologia das encostas da Serra do Mar. Ao analisarem as movimentações de terra naturais, descobriram que a floresta intacta protege a serra de escorregamentos, mas não garante a inexistência deles. Isso se deve as suas características únicas e às variações climáticas.

(Santos, 2004).

 

Graças à contribuição dos geomorfólogos, a geologia da engenharia avançou e as transposições viárias da serra foram cada vez mais bem sucedidas (Santos, 2004).

 
ESCORREGAMENTOS

Movimentações de massa ou escorregamentos são comuns nas encostas da Serra do Mar em virtude de sua pluviosidade e das características geológicas da região. Estes escorregamentos podem ser naturais ou decorrentes da ação do homem através de desmatamentos e cortes nas encostas (Santos, 2004).

 

Os escorregamentos podem ser:

    1. a)Rastejos ou solifluxão: movimentos de grande lentidão e interminência.
    2. b)Escorregamentos translacionais rasos: desmontes hidráulicos de solos superficiais que ocorrem em inclinações acima de 30º.
    3. c)Corridas de lama: violenta torrente fluida de massa de solo e rocha ao longo das depressões mais profundas dos vales.
    4. d)Desprendimentos em rocha: quedas de blocos e lascas de superfícies rochosas naturais expostas (Santos, 2004).

 

Já os escorregamentos induzidos pela ação humana são:

    1. a)Desprendimentos em rocha e escorregamentos translacionais, conforme explicados acima, tendo como principal diferença o elemento causador que neste caso é a ação humana.
    2. b)Escorregamentos rotacionais profundos, grandes escorregamentos de solo, causados por escavações de pé de talude, sobrepeso, alterações de drenagem ou desmatamentos.
    3. c)Movimentação de material acumulado nos pés da encosta quando cortados ou sobrecarregados por intervenção humana.
    4. d)Colapso em saprolito fraturado, desmoronamento de rocha alterada fraturada; ocorre pela combinação desfavorável de orientações espaciais na estrutura da rocha, e inclinação do plano de corte e direção da estrada (Santos, 2004).

 

É importante ressaltar que os escorregamentos, tanto os naturais quanto os induzidos, têm como agente potencializador as chuvas torrenciais comuns da região (Santos, 2004).

 
TRANSPOSIÇÕES VIÁRIAS

Os índios nativos brasileiros habitavam o planalto e desciam a Serra somente nos meses frios para fugir das baixas temperaturas. Utilizavam trilhas muito simples e aproveitavam a Serra como defesa natural de suas aldeias (Santos, 2004).

Com o descobrimento do Brasil e sua colonização, a necessidade de trânsito entre a Baixada Santista e o planalto foi crescendo progressivamente. Inicialmente havia a necessidade de transportar equipamentos de defesa para as vilas do planalto e de municiamento para as expedições que penetravam o interior. Depois, as transposições foram necessárias para escoar as produções agrícolas de açúcar, café e outros produtos. Além é claro da interiorização dos insumos alimentícios e manufaturados para as cidades em desenvolvimento no planalto e do transporte de pessoas (Santos, 2004).

 

FUTURAS TRANSPOSIÇÕES VIÁRIAS

Se por um lado, um sistema de transporte eficiente é fator determinante para o desenvolvimento econômico e social; por outro lado, o desenvolvimento econômico sempre foi fator motivador de transposições viárias dos mais diversos modais na Serra do Mar; tornando assim um ciclo no qual crescimento econômico e social gera a necessidade de um sistema de transporte adequado, o qual motiva a transposição viária que, por sua vez, provoca o desenvolvimento econômico; contudo, essas transposições devem respeitar o patrimônio natural físico e biológico da região (Fogliatti, 2004; Santos, 2004).

 

Atualmente, estão sendo propostas transposições viárias e ainda resta ser executado o Ramal Mongaguá do Sistema Anchieta/Imigrantes. Ao longo da Serra, várias transposições já se mostram e se mostrarão necessárias para viabilizar o crescimento econômico e diminuir os gargalos logísticos, e o conhecimento adquirido da dinâmica das encostas se faz necessário para orientar os futuros projetos (Santos, 2004).

 

 

 

TRANSPORTES E MEIO AMBIENTE

Com o objetivo de facilitar a distribuição de o excedente alimentar, surgiu na sociedade pré-industrial o transporte. No início, o transporte era composto apenas de pequenas movimentações, mas com a revolução industrial e o surgimento da máquina a vapor, os meios de transporte passaram a realizar movimentações maiores (Fogliatti, 2004).

 

O aumento da população em torno das cidades e da movimentação de mercadorias, aliados à falta de planejamento, geraram os primeiros problemas tais como os congestionamentos do tráfico, principais agentes do processo de poluição ambiental, relacionados ao transporte na época (Fogliatti, 2004).

 

Os sistemas de transportes são essenciais para a sociedade moderna. A integração e eficiência dos modais de transporte são fatores fundamentais para o crescimento econômico, contudo também trazem impactos negativos ao meio ambiente (Fogliatti, 2004).

 

Os impactos ambientais causados pelos meios de transporte utilizados devem ser analisados e os projetos devem ser planejados para equilibrar os benefícios econômicos com os impactos ambientais oriundos (Fogliatti, 2004).

 

MODAL AÉREO

Teleférico é um tipo de transporte aéreo de pessoas ou materiais por meio de cabos. É um veículo que se desloca por meio desses cabos.

A composição do teleférico consiste em torres, as quais são estruturas intermediárias responsáveis por dar suporte aos cabos; estes são em sua maioria de aço e sobre os quais são deslocados os veículos. Veículos são cabines, telecestas ou cadeiras nas quais ficam acomodadas as pessoas ou materiais transportados. Os teleféricos modernos são movidos à energia elétrica. Normalmente, são utilizados dois terminais: um em cada extremidade do teleférico; são usados para embarque e desembarque e para acionamento do movimento dos cabos.

 

Os teleféricos podem ser monocabo, ou seja, apresentam somente um cabo o qual suporta o peso das cabinas ou bicabo, quando a função portadora e a motora são separadas em cargos distintos.

 

Conforme o projeto, a carga e descarga do teleférico seriam rotativas, para os terminais, em suas extremidades, não ficarem sobrecarregados. O teleférico teria 10km de extensão e teria suas torres a cada 100 metros. Poderia operar com 200 contêineres de uma vez, sendo 100 subindo e 100 descendo.

A velocidade seria de aproximadamente 15km/h, tornando assim o tempo de engate e desengate semelhante ao tempo da descida de caminhões na Serra do Mar. A inclinação do trecho seria de 10º, o que não seria problema, pois os teleféricos trabalham com inclinação de até 45º.

 

IMPACTO AMBIENTAL DO TELEFÉRICO

Em virtude do solo anteriormente intervencionado e aproveitando as estruturas da antiga Estrada Ferroviária Santos Jundiaí, os impactos negativos na implantação do teleférico seriam muito pequenos, visto que se pretende com ele recuperar uma área já degradada.

 

Para a implantação do teleférico, seria necessário um reflorestamento em alguns pontos da região, pois como foi informado anteriormente é a floresta que protege o solo contra as erosões (Santos, 2004).

 

As torres do teleférico teriam uma altura média de 40 metros, transportando assim os contêineres acima da copa das árvores nativas, que variam entre 25 a 30 metros (Santos, 2004).

 

Na construção dos dois terminais, um instalado na Vila de Paranapiacaba e outro na estrada Plínio de Queiros, em Cubatão, haverá também um impacto ambiental, minimizado em virtude da utilização da região para outros fins.

 

Os impactos na utilização do teleférico no corpo florestal seriam diluídos devido à altura das torres e pouca intervenção na região. O transporte via teleférico utiliza energia elétrica, o que elimina problemas decorrentes da emissão de gases da combustão de motores (Fogliatti, 2004).

O transporte aéreo via teleférico, contudo, está suscetível a acidentes e exige constante manutenção e um plano de contingência e emergência para minimizar impactos causados por acidentes (Fogliatti, 2004).

 

Alguns impactos negativos que podemos citar na construção e utilização de teleféricos são: alteração das condições naturais de infiltração e drenagem nos terminais, danos na vegetação pela passagem de cabos para instalação e posterior desmontagem do teleférico provisório, risco de mortalidade de aves por colisão com os cabos e equipamentos do teleférico, risco de contaminação dos solos, por derrames acidentais, entre outros.


COMPARAÇÃO DO IMPACTO AMBIENTAL

Os impactos ambientais, causados pelos modais aéreo e rodoviário, são comparados no quadro a seguir:

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Podemos observar que os impactos rodoviários foram calculados de maneira genérica, necessitando de um maior estudo de projetos de transposições viárias que utilizem modal nessa região.

Os impactos ambientais negativos causados pelo sistema rodoviário e aéreo por meio de cabos variam de acordo com o traçado e a execução da construção, tornando assim o planejamento das transposições viárias uma das partes mais importantes para evitar impactos negativos. Os impactos de utilização dos modais são comparativamente menores do que o da construção dos mesmos, por isso, o quadro comparativo acima separa os impactos causados pela construção e exploração das transposições viárias (Fogliatti, 2004).

 
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Comparativamente, o projeto do teleférico polui menos e gasta menos recursos naturais do que novas transposições viárias a serem estudadas na Serra do Mar e visa ainda à recuperação de uma área degradada por transposições viárias anteriores. Assim, demostra uma solução parcial para o problema do grande fluxo de caminhões na Serra do Mar e seus poluente, impactos ambientais e os recursos utilizados.

A sobrecarga nos acessos ao porto de Santos e no complexo Anchieta/Imigrantes foi fator determinante na concepção deste artigo, que busca a otimização do transporte de cargas em contêineres na Serra do Mar.

O projeto de implantação de um teleférico de contêineres é inédito no Brasil e prevê não só a solução de problemas logísticos, mas também a redução de custos de transporte, a recuperação de uma área degradada e a minimização de impactos negativos ao meio ambiente.

O presente artigo não tem a pretensão de esgotar o assunto, muito pelo contrário, se reveste de mais uma iniciativa, entre outras já existentes, de contribuir para o debate de soluções para os problemas logísticos existentes e que existirão, utilizando o ponto de vista ambiental do almejado desenvolvimento sustentável.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRAGA,Benedito. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Prentice-Hall, 2002.

DIAS, Reinaldo. Gestão Ambiental, Responsabilidade Social e Sustentabilidade. São Paulo: Ed.Atlas, 2006.

FOGLIATTI, Maria Cristina.Avaliação dos Inpactos Ambientais. Aplicação dos sitemas de transporte.Rio de Janeiro: Interciência, 2004.

FRANCO, Maria de Assunção Ribeiro. Planejamento ambiental para a cidade sustentável. 2 ed. São Paulo: Fapesp, 2001.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1995.

LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório e trabalhos científicos. 6 ed. São Paulo: Atlas,2001.

SANTOS, Alvaro Rodrigues dos. A grande barreira da Serra do Mar: da trilha dos tupiniquins à Rodovia dos Imigrantes. 6.ed. São Paulo: Ed. O nome da Rosa, 2004.

SEIFFERT, Mari Elizabete Bernadini. ISO 14001. Sistemas de Gestão Ambiental: Implantação objetiva e econômica. São Paulo: Atlas, 2008.

SILVERSTEIS, Michael. A revolução ambiental – como a economia poderá florescer e a terra sobreviver no maior desafio da virada do século. Rio de Janeiro: Editora Nórdica, 1993.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas, 1998.

 

 

DOCUMENTOS  ELETRÔNICOS

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Acesso em: 16/03/2010.

PRAXIS, Priberam.  Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível                             em: http://www.priberam.pt/DLPO/default.asps?pal=teleférico.

Acesso em: 05/03/2010

REINEHR, Ribeiro.  ANTT autoriza reajuste nas tarifas de pedágio da Rodovia Anchieta/Imigrantes. Disponível em: http://www.intelog.com.br. Acesso em: 22/04/2010.

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